Don't shit where you eat
O espaço doméstico em performance
A performance é frequentemente uma forma de resgatar da banalidade as acções quotidianas. Torna enigmático o que é evidente e aparentemente sem mistério.
Na recorrente relação entre arte e vida, esta exposição junta dez artistas que têm em comum esta estreita relação com o quotidiano, que afasta a arte de qualquer pompa deslumbrada. Artistas que celebram a sua própria banalidade. Arrastando consigo a banalidade, estão de facto a convocar toda a realidade, criando uma intensa potencialidade simbólica.
Carla Filipe e o seu registo da vida de famílias alheias tornando a realidade em ficção. Marco Mendes e um espaço doméstico de partilha e de ocupantes variáveis, desdobramento do indivíduo em vários. António Melo onde à ideia da arte enquanto ilusão prefere o ilusionismo, aqui, literalmente, de trazer por casa. Arlindo Silva no instante fotográfico que a pintura laboriosa desde logo faz durar e permanecer. Baltazar Torres e uma ideia claustrofóbica de interior onde a arte poderá ser uma janela. Armando Azevedo e o doméstico enquanto veículo para a meta-arte. António Olaio aqui numa afirmação/negação da pintura enquanto janela. Valdemar Santos na ambiguidade entre arte e artefacto, entre utilidade e experiência estética. José Maçãs de Carvalho em registo documental onde é a própria realidade que gera a ficção. João Fonte Santa na crueza de um registo diarístico, ampliado e exposto. Pedro Pousada numa abordagem do doméstico que, ambicionando a ser bunker, é de facto espaço concentracionário de todas as realidades.
Também no Círculo Sereia será inaugurada no mesmo dia A SALA, exposição documental deste carismático espaço de performance do Porto liderado pela artista Susana Chiocca. A SALA é uma exposição integrada no Festival Line Up Action , ao qual o CAPC assim se associa.