{"id":1377,"date":"2016-03-15T16:28:02","date_gmt":"2016-03-15T16:28:02","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=1377"},"modified":"2020-03-11T12:29:39","modified_gmt":"2020-03-11T12:29:39","slug":"a-conversa-com-pedro-cabrita-reis","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/a-conversa-com-pedro-cabrita-reis\/","title":{"rendered":"<b>\u00c0 Conversa com os Artistas<\/b><br>Pedro Cabrita Reis | <i>A Casa de Coimbra<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o momento em que o p\u00fablico pode conversar com os artistas sobre a sua obra. Escutar, fazer perguntas, aceder aos processos, ou a parte deles, e perceber melhor as vis\u00f5es do mundo de cada criador.<\/p>\n<p><em><strong>A Casa de Coimbra <\/strong><\/em><strong>| Pedro Cabrita Reis<\/strong><\/p>\n<p><em>A Casa de Coimbra<\/em> \u00e9 um processo de assemblagem feito a partir de uma estrutura museogr\u00e1fica obsoleta, que se sobrepunha ao espa\u00e7o do Refeit\u00f3rio de Santa Cruz. Partindo dessa mat\u00e9ria preexistente, Pedro Cabrita Reis, como um compositor, orientou criteriosamente e cirurgicamente as motosserras que destru\u00edam e o carpinteiro que constru\u00eda.<br \/>\nAo cortar, desvelava-se a estrutura do que est\u00e1 por tr\u00e1s, a ossatura que conforma o revestimento. Reenquadram-se, (exp\u00f5em-se) estratos de espa\u00e7os de outros tempos: o tempo do refeit\u00f3rio, que em si cont\u00e9m muitos <em>layers<\/em> e o tempo da estrutura de madeira que foi palco de diversas exposi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAs pe\u00e7as resultantes dos cortes reorganizam-se num processo mut\u00e1vel e em expans\u00e3o. O carpinteiro prega cada novo peda\u00e7o segundo a ordem precisa do artista. As partes re\u00fanem-se criando uma nova ordem: subtraem-se, justap\u00f5em-se, adicionam-se, op\u00f5em-se e confrontam a mat\u00e9ria primeva.<br \/>\nA luz, por sua vez, sublinha, releva e clarifica este processo de sedimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o fixo, n\u00e3o est\u00e1vel.<br \/>\nA Casa, que se edifica neste espa\u00e7o do retiro e da solenidade, convoca-a atrav\u00e9s da domesticidade do seu nome e da espacialidade da sua conforma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPressente-se a Merzbau (1927-1933; destru\u00edda num bombardeamento em 1943) de Kurt Schwitters, nesta instala\u00e7\u00e3o que se inscreve na s\u00e9rie das Casas, onde mais uma vez, a aten\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e seletiva do artista est\u00e1 presente no modo como se constata uma inteligibilidade singular, na resolu\u00e7\u00e3o conceptual e formal sempre distinta de obra para obra. Pedro Cabrita Reis tem a capacidade de convocar o espanto numa obra t\u00e3o mat\u00e9rica e concreta e simultaneamente t\u00e3o abstrata.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Pedro Cabrita Reis<\/span>\u00a0(Lisboa, 1956) Formado em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Apresentou o seu trabalho em exposi\u00e7\u00f5es individuais e colectivas em territ\u00f3rio nacional e internacional, tendo participado na Documenta de Kassel, na Bienal de S\u00e3o Paulo e na Bienal de Veneza (representa\u00e7\u00e3o de Portugal). A sua obra inclui uma multiplicidade de meios, dos desenhos sobre papel utilizando grafite e pastel, passando pela pintura em grande escala, at\u00e9 \u00e0s instala\u00e7\u00f5es de dimens\u00f5es arquitecturais.<\/p>\n<div id=\"attachment_1212\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1212\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1212 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-1.jpg\" alt=\"conv. pedro cabrita reis-1\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-1.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1212\" class=\"wp-caption-text\">1.000.053\u00ba Anivers\u00e1rio da Arte, na Sala da Cidade<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1213\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-3.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1213\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1213 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-3.jpg\" alt=\"conv. pedro cabrita reis-3\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-3.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/conv.-pedro-cabrita-reis-3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1213\" class=\"wp-caption-text\">1.000.053\u00ba Anivers\u00e1rio da Arte, na Sala da Cidade<\/p><\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vB9TNbtNBHg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e4YjR4b0XFI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/coimbra1111\/videos\/1003904189680909\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1205\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-8-\u00e0s-16.32.31.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-03-8, \u00e0s 16.32.31\" width=\"535\" height=\"295\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-8-\u00e0s-16.32.31.png 535w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-8-\u00e0s-16.32.31-300x165.png 300w\" sizes=\"(max-width: 535px) 100vw, 535px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-01-13-\u00e0s-15.43.24.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1389\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-01-13-\u00e0s-15.43.24.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-01-13, \u00e0s 15.43.24\" width=\"1860\" height=\"1064\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-01-13-\u00e0s-15.43.24.png 1860w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-01-13-\u00e0s-15.43.24-300x172.png 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-01-13-\u00e0s-15.43.24-1024x586.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 1860px) 100vw, 1860px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Programa Trimestral | Jan. Fer. Mar<\/span><\/p>\n<p><em><strong>Janeiro \u00e9 o m\u00eas do anivers\u00e1rio da arte e o CAPC vai comemorar!<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O projeto educativo do CAPC come\u00e7a agora a definir-se e no trimestre de Janeiro a Mar\u00e7o lan\u00e7amos,\u00a0ainda \u00e0 boleia da bienal, alguns dados.<\/p>\n<p>Em Janeiro viajamos at\u00e9 \u00e0 primeira celebra\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio da arte no CAPC, em 1974, promovida\u00a0por Ernesto De Sousa, a partir de uma proposta do seu amigo Robert Filliou, com a colabora\u00e7\u00e3o\u00a0de muitos artistas.<\/p>\n<p>O projeto educativo quer estender a celebra\u00e7\u00e3o da arte aos artistas e aos professores.\u00a0Aqui roubamos aos artistas, aos pensadores\u2026 roubamos o que nos alimenta, o que nos anima, que\u00a0nos d\u00e1 alma, o que nos fortalece! Clarice Lispector diz que \u201croubar torna tudo mais valioso\u201d.\u00a0Roubamos ao Rui Chafes a ideia de que os artistas transportam a chama que vem de h\u00e1 muito e que\u00a0nascemos a partir do momento em que as coisas que amamos existem. Roubamos ao George\u00a0Steiner a ideia de que os professores s\u00e3o como os carteiros que entregam as cartas dos grandes\u00a0criadores. O ato de escolher as cartas a entregar, a quem e quando, n\u00e3o \u00e9 neutro, pressup\u00f5e uma\u00a0dimens\u00e3o ideol\u00f3gica e uma atitude pol\u00edtica. A rece\u00e7\u00e3o das cartas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 passiva. Aqui\u00a0deseja-se que as cartas entregues possam ajudar a procurar outras e que sirvam de instrumento\u00a0para que cada um pense por si, descubra e escreva outras cartas.<\/p>\n<p>Roubamos \u00e0 Hannah Arendt quando nos diz que \u201c(\u2026) cada nova gera\u00e7\u00e3o, na verdade, cada novo ser\u00a0humano, na medida em que se insere entre um passado infinito e um infinito futuro, deve descobrir\u00a0e pavimentar de novo, com grande esfor\u00e7o, esse mesmo caminho.\u201d\u00a0Queremos fazer por e, sobretudo, fazer o que fazemos com.\u00a0Assim celebramos, celebramos com alegria mas sem distra\u00e7\u00f5es, de modo a que a alegria nos fortale\u00e7a\u00a0para que possamos enfrentar tantas adversidades deste nosso mundo e agir!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.959312910769239.1073741855.162859307081274&amp;type=3\">&gt;ver mais fotos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o momento em que o p\u00fablico pode conversar com os artistas sobre a sua obra. 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