{"id":145,"date":"2012-03-31T14:40:31","date_gmt":"2012-03-31T14:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=145"},"modified":"2020-03-10T11:55:40","modified_gmt":"2020-03-10T11:55:40","slug":"fernando-calhau","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/fernando-calhau\/","title":{"rendered":"<b>O Mapa do Mar<\/b><br>Fernando Calhau"},"content":{"rendered":"<p>As obras seleccionadas para a exposi\u00e7\u00e3o no CAPC, dizem respeito a uma das tipologias presentes na produ\u00e7\u00e3o de Fernando Calhau ao longo de todo o seu percurso art\u00edstico e que tem, no corpo da sua obra, um lugar maior \u2013 o Desenho.<\/p>\n<p>Dir\u00edamos que o desenho aparece na obra de Fernando Calhau como uma esp\u00e9cie de respira\u00e7\u00e3o, de impulso respirat\u00f3rio ritmado, ora cambiante ora repetitivo e percorre todo o seu fazer manifestando-se tanto como elemento preparat\u00f3rio para a edifica\u00e7\u00e3o da obra (estudo, esbo\u00e7o, apontamento), quanto como obra ela mesma.<\/p>\n<p>Datadas de entre o final dos anos 70 e o princ\u00edpio dos anos 80, apresenta-se um vasto conjunto de p\u00e1ginas pertencentes a uma s\u00e9rie de trabalhos em que &nbsp; a representa\u00e7\u00e3o arquitect\u00f3nica e escult\u00f3rica e a sua rela\u00e7\u00e3o com a luz (que a d\u00e1 a ver), s\u00e3o a matriz para a sua concep\u00e7\u00e3o. Produzidas e expostas pela primeira vez numa exposi\u00e7\u00e3o individual na Galeria Quadrum (com o t\u00edtulo Desenhos), faziam-se acompanhar, no \u00e2mbito da exposi\u00e7\u00e3o, por alguns dos elementos escult\u00f3ricos a que fazem refer\u00eancia (ou de que, talvez, s\u00e3o referente). Funcionando nessa fronteira t\u00e9nue entre obra final e ensaio preparat\u00f3rio, concentram em si algumas das quest\u00f5es mais prementes do seu percurso \u2013 a preocupa\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o e com a sua representa\u00e7\u00e3o, o apagamento das formas tanto atrav\u00e9s da aus\u00eancia de luz quanto da acumula\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria, o minimalismo e o estudo das suas particularidades formais, ou a presen\u00e7a da noite na sua dimens\u00e3o mais simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o seu desenho pensa a Pintura, ou \u00e9 tamb\u00e9m atrav\u00e9s dele que Calhau pensa a Pintura. Numa s\u00e9rie de desenhos, de grandes dimens\u00f5es, datados de 2002 e apresentados pela primeira vez na exposi\u00e7\u00e3o Um passo no escuro (que realizou com Rui Chafes, no Pavilh\u00e3o Branco do Museu da Cidade, em Lisboa), Fernando Calhau explora a ideia de monocromatismo usando toda a superf\u00edcie do papel, onde sobrep\u00f5e vigorosamente in\u00fameras camadas de milhares de linhas de carv\u00e3o at\u00e9 chegar a um quase negro total. O mesmo acontece num conjunto de desenhos quadrados ligeiramente anteriores e que estabelecem uma interessante rela\u00e7\u00e3o com um conjunto de pinturas negras quadradas (que se apresentam, tamb\u00e9m nesta exposi\u00e7\u00e3o, no espa\u00e7o do Col\u00e9gio das Artes).<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s destas obras pode confirmar-se, por um lado, o enorme espa\u00e7o de liberdade que o desenho ocupou no percurso do artista \u2013 muito evidente &nbsp; na curiosidade da presen\u00e7a dos dois desenhos de 1989 que, de forma viva e espont\u00e2nea, parecem representar uma baleia \u2013, e por outro, o muit\u00edssimo dotado desenhador que Fernando Calhau foi e o quanto a disciplina se constitu\u00eda para si como ferramenta operativa de pensamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1040\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01151.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1040\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1040\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01151.jpg\" alt=\"Exposi\u00e7\u00e3o O Mapa do Mar, no C\u00edrculo Sereia\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01151.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01151-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1040\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>O Mapa do Mar<\/em>, no C\u00edrculo Sereia<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1041\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01221.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1041\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1041\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01221.jpg\" alt=\"Exposi\u00e7\u00e3o O Mapa do Mar, no C\u00edrculo Sereia\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01221.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01221-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1041\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>O Mapa do Mar<\/em>, no C\u00edrculo Sereia<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1042\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01261.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1042\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1042\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01261.jpg\" alt=\"Exposi\u00e7\u00e3o O Mapa do Mar, no C\u00edrculo Sereia\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01261.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/DSC_01261-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1042\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>O Mapa do Mar<\/em>, no C\u00edrculo Sereia<\/p><\/div>\n<p><i>A exposi\u00e7\u00e3o O Mapa do Mar de Fernando Calhau&nbsp;<\/i><i>\u00e9 o resultado de uma parceria entre o Centro de Artes Visuais, o C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas e o Col\u00e9gio das Artes da Universidade de Coimbra e espalha-se por estas tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es, em cada uma sendo exploradas diferentes facetas do trabalho e do legado de Fernando Calhau no ano em que se cumprem 10 anos sobre o seu prematuro desaparecimento.<\/i><\/p>\n<p><i>Nascido em Lisboa em 1948, Calhau iniciou muito jovem o seu percurso art\u00edstico, em 1966. Com um primeiro momento de interesse pela gravura, ingressou na Escola de Belas Artes de Lisboa que concluir\u00eda&nbsp;<\/i><i>em 1973 para rumar a Londres no sentido de estudar gravura na Slade School com Bartolomeu Cid dos Santos que a\u00ed leccionava.<\/i><\/p>\n<p><i>De regresso a Portugal na sequ\u00eancia do 25 de Abril de 1974 (como muitos outros artistas), Calhau desenvolveu um percurso m\u00faltiplo que foi sendo conciliado com o seu trabalho como respons\u00e1vel da \u00e1rea de artes visuais da Secretaria de Estado da Cultura&nbsp;<\/i><i>\u2013 lugar que assumiu em 1976 e limitou imenso a visibilidade do seu trabalho.<\/i><\/p>\n<p><i>Durante a d\u00e9cada de setenta, Fernando Calhau passa da pr\u00e1tica da pintura a um interesse pela fotografia e pela utiliza\u00e7\u00e3o do filme super 8mm e&nbsp;<\/i><i>do v\u00eddeo para, no final da d\u00e9cada, desenvolver uma importante exposi\u00e7\u00e3o (Night Works) na qual fotografia, pintura monocrom\u00e1tica e n\u00e9on se cruzam.<\/i><\/p>\n<p><i>Durante as d\u00e9cadas de oitenta e noventa viria a optar novamente pela pintura, agora combinada com estruturas de a\u00e7o e por vezes palavras em n\u00e9on em obras que possuem uma escala e uma assertividade raras.<\/i><\/p>\n<p><i>O desenho tamb\u00e9m acompanhou o seu percurso de uma forma regular, constituindo quase um mapa das suas preocupa\u00e7\u00f5es e pesquisas, articulando-se com a pintura e a sua pesquisa espacial.<\/i><\/p>\n<p><i>Fernando Calhau foi, desde 1997, diretor do Instituto de Arte Contempor\u00e2nea, estrutura que concebeu e fundou, e, nesse sentido, a sua obra viria a ter uma escassa presen\u00e7a em exposi\u00e7\u00f5es, embora continuasse a produzir.<\/i><\/p>\n<p><i>Em 2001, j\u00e1 gravemente doente, realizou uma exposi\u00e7\u00e3o retrospectiva da sua obra no Centro de Arte Moderna da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian (Work in Progress) da qual foi editado um cat\u00e1logo com uma longa entrevista reveladora de muitos aspectos menos conhecidos do seu percurso.<\/i><\/p>\n<p><i>Fernando Calhau viria a falecer em 2002, tendo ainda efetuado uma exposi\u00e7\u00e3o com o escultor Rui Chafes (Um passo no escuro).<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HEIpvwYyrEo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As obras seleccionadas para a exposi\u00e7\u00e3o no CAPC, dizem respeito a uma das tipologias presentes na produ\u00e7\u00e3o de Fernando Calhau ao longo de todo o seu percurso art\u00edstico e que tem, no corpo da sua obra, um lugar maior \u2013 o Desenho. 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