{"id":154,"date":"2012-05-19T16:50:59","date_gmt":"2012-05-19T16:50:59","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=154"},"modified":"2020-03-10T11:55:15","modified_gmt":"2020-03-10T11:55:15","slug":"mondego","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/mondego\/","title":{"rendered":"<b>MondEGO<\/b>"},"content":{"rendered":"<p><em><b>Deixaram, abandonaram, sublinharam<\/b><\/em><\/p>\n<p>Cronograma de um rio aspergido por uma navalha: nesta sala funciona, num \u201c<i>turning off and on<\/i>\u201d, o esp\u00edrito <i>workshop <\/i>a que Ernesto de Sousa se referia a prop\u00f3sito do CAPC. Esse esp\u00edrito funciona aqui como um livro de muitas folhas, algumas transparentes outras rasuradas e outras, ainda, reescritas; um livro que arrisca acrescentar coisas ao mundo sem lhes dar um significado doutrin\u00e1rio. A intersubjectividade, quatro artistas em di\u00e1logo, ergue-se, ent\u00e3o, como uma pseudo-\u201c<i>gesamtkunstwerk<\/i>\u201d. Encontramos inesperadamente no \u201cRealismo Capitalista\u201d de um B-52, o sonho americano a bombardear Han\u00f3i,&nbsp;e na acumula\u00e7\u00e3o de sistemas abstractos do Manhattan commuter transit system presentificados nas serigrafias de Vostell o duelo transatl\u00e2ntico entre o pessimismo germ\u00e2nico e o \u201crevivalismo withmanesco\u201d (sic Thierry de Duve) que marcou a itiner\u00e2ncia do grupo Fluxus. A indiferencia\u00e7\u00e3o social do artista: ser como todos os outros implica, ainda, e necessariamente, culpa e sonho. Armando Azevedo atomiza o nome pr\u00f3prio \u201cMondego\u201d num sujeito que se encontra com o \u201cabsolutismo da realidade\u201d. \u201dEgo\u201d e \u201cMonde\u201d engomando fragmentos de incomensurabilidade tipogr\u00e1fica, exorcizando o conte\u00fado de um rio, virando-o ao contr\u00e1rio com o vai e vem de uma mota-balou\u00e7o. \u201c<i>Hommage \u00e0 Mondego d\u2019apr\u00e9s Promio<\/i>\u201d, a promenade ontol\u00f3gica proposta por Pedro Cabral Santo faz-se em torno das diferentes motricidades e inadequa\u00e7\u00f5es da percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A autenticidade da coisa-em-si, Coimbra vista do Mondego, \u00e9 apenas o repert\u00f3rio de uma experi\u00eancia diferida, incompleta, substitu\u00edda pelos seus v\u00e1rios nomes. O sussurro de uma mancha florestal \u00e9 apresentada por Alberto Carneiro&nbsp;como uma ondula\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria e energia.<\/p>\n<p>Um feixe de for\u00e7as tornando-se o transporte de uma sensibilidade, mas tamb\u00e9m a sua in\u00e9rcia, tornando-se a consci\u00eancia que essa sensibilidade tem da sua separa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mundo das coisas vivas e das coisas inertes. Numa esp\u00e9cie de confronto e fractura entre aquele que faz e o mundo por si feito, Alberto Carneiro vem mostrar&#8211;nos como no processo de inadequa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel se faz inscrever a permanente volatilidade e desteritorializa\u00e7\u00e3o do mundo. Um feixe de for\u00e7as, de linhas que atravessam o plano de continuidade que \u00e9 a realidade, a escura realidade do mundo denunciando o improv\u00e1vel das realiza\u00e7\u00f5es humanas. Dir-se-ia assim que entre o humano demasiado humano das cartografias da itiner\u00e2ncia de Vostell e do Fluxus e a cesura entre o inumano e o humano propiciada pelo gesto de Alberto Carneiro, detectamos em Armando Azevedo a melhor das media\u00e7\u00f5es ou passagens. O seu Mondego \u00e9 a sublima\u00e7\u00e3o do si, do <i>self<\/i>, do ego,&nbsp;o seu reflexo, e, em simult\u00e2neo, a paisagem l\u00edquida do interior e da escurid\u00e3o que s\u00f3 Carneiro poderia fazer sublinhar atrav\u00e9s de tra\u00e7os que denunciam, afinal, a regi\u00e3o de sombras que est\u00e1 para l\u00e1 da metr\u00f3pole e dos seus circuitos, ou t\u00e3o-s\u00f3, nos espa\u00e7os opacos que as linhas, sempre as linhas, esse apaixonante vest\u00edgio da sensibilidade e da civiliza\u00e7\u00e3o, deixaram, abandonaram, sublinharam.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pedro Pousada <i>&amp; <\/i>Lu\u00eds Quintais,&nbsp;Maio de 2012<\/p>\n<div id=\"attachment_1048\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Imagem-0711.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1048\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1048\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Imagem-0711.jpg\" alt=\"Pedro Cabral Santo | Hommage \u00e0 Mondego d\u2019apr\u00e9s Promio, 2012 | Imagem projectada, 12\u2019\u2019\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Imagem-0711.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/Imagem-0711-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1048\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Pedro Cabral Santo<\/strong> | <em>Hommage \u00e0 Mondego d\u2019apr\u00e9s Promio<\/em>, 2012 | Imagem projectada, 12\u2019\u2019<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1047\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DSC_01351.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1047\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1047\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DSC_01351.jpg\" alt=\"Alberto Carneiro | Os Caminhos da Floresta, 1983 | 60x84 cm | Grafite sobre papel fabriano | quarto desenho da s\u00e9rie de sete \" width=\"550\" height=\"708\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DSC_01351.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DSC_01351-233x300.jpg 233w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1047\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Alberto Carneiro<\/strong> | <em>Os Caminhos da Floresta<\/em>, 1983 | 60&#215;84 cm | Grafite sobre papel fabriano | quarto desenho da s\u00e9rie de sete<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_989\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/mondego.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-989\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-989 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/mondego.jpg\" alt=\"mondego\" width=\"1200\" height=\"797\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/mondego.jpg 1200w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/mondego-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/mondego-1024x680.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-989\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Armando Azevedo<\/strong> | <em>mondEGO<\/em>, 2003 | Medidas vari\u00e1veis | Colagem de jornais, mdf, espelho, malas de viagem, mota de madeira [Pormenor da obra]<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixaram, abandonaram, sublinharam Cronograma de um rio aspergido por uma navalha: nesta sala funciona, num \u201cturning off and on\u201d, o esp\u00edrito workshop a que Ernesto de Sousa se referia a prop\u00f3sito do CAPC. 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