{"id":1938,"date":"2017-01-03T21:56:06","date_gmt":"2017-01-03T21:56:06","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=1938"},"modified":"2020-03-10T18:08:22","modified_gmt":"2020-03-10T18:08:22","slug":"este-lugar-lembra-te-algum-sitio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/este-lugar-lembra-te-algum-sitio\/","title":{"rendered":"<b>Este Lugar Lembra-te Algum S\u00edtio?<\/b>"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Este-Lugar-Lembra-te-Algum-S\u00edtio-Cartaz1.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-1940\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Este-Lugar-Lembra-te-Algum-S\u00edtio-Cartaz1.png\" alt=\"este-lugar-lembra-te-algum-sitio-cartaz\" width=\"1121\" height=\"1586\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Este-Lugar-Lembra-te-Algum-S\u00edtio-Cartaz1.png 1121w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Este-Lugar-Lembra-te-Algum-S\u00edtio-Cartaz1-212x300.png 212w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Este-Lugar-Lembra-te-Algum-S\u00edtio-Cartaz1-724x1024.png 724w\" sizes=\"(max-width: 1121px) 100vw, 1121px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00abO espa\u00e7o \u00e9, em ess\u00eancia, aquilo para o qual se criou lugar\u00bb. Esta afirma\u00e7\u00e3o de Martin Heidegger \u00e9 aqui entendida como an\u00e1loga ao Lugar \u2014 que queremos real\u00e7ar\/questionar. Um lugar dispon\u00edvel e de acesso: dotado de identidade, referente e sentido. Um lugar que se torna existente pela presen\u00e7a do indiv\u00edduo e do significado que ele lhe atribui, ganhando assim identidade, rela\u00e7\u00e3o e historicidade.<\/p>\n<p>Um lugar no qual se imprime um grau de afetividade resultante de viv\u00eancias que potenciam e permitem criar uma marca indel\u00e9vel, memor\u00e1vel e hist\u00f3rica, de reconhecimento e de valor. Um lugar \u2014 ou s\u00edtio? \u2014 cujo significado \u00e9 oferecido por quem o pratica, habita, usa. Contendo propriedades existenciais \u2014 sociol\u00f3gicas, antropol\u00f3gicas, relacionais e participativas \u2014 e assumindo uma no\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia pela viv\u00eancia e alteridade que a sociedade, independentemente do local geogr\u00e1fico, produz de forma coletiva, relacional, interdependente, partilhada e permutada.<\/p>\n<p>O lugar est\u00e1 onde o encontramos, ou melhor, onde o ativamos, como nos disse Anne Cauquelin. E \u00e9 tamb\u00e9m ela que nos fala em lugar incorp\u00f3reo, que ganha corpo com a nossa presen\u00e7a e ativa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, de incorp\u00f3reo que era, ele torna-se corpo, precisamente pelo <em>rendez-vous<\/em>, e assim o vazio \u00e9 preenchido por permitir acesso: encontro.<\/p>\n<p>Desta forma, o espa\u00e7o-vazio torna-se lugar, pois perde a sua ilimita\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> \u00c9 desta mistura que poderemos pensar\/situar o espa\u00e7o-lugar em s\u00edtio. A autora traz ao pensamento quest\u00f5es em torno do espa\u00e7o-lugar substituindo-os pelo \u00abs\u00edtio\u00bb; um s\u00edtio espec\u00edfico. Visto e entendido desta maneira, o Lugar d\u00e1 lugar ao S\u00edtio no momento em que o homem, o habitante, o indiv\u00edduo lhe concede exist\u00eancia e lhe implementa uma a\u00e7\u00e3o, uma marca \u2014 o situa. \u00abO lugar ent\u00e3o, o s\u00edtio, n\u00e3o \u00e9 finito, \u00e9 um devir\u00bb, afirma Anne Cauquelin.<\/p>\n<p>Tratar-se-\u00e1, ent\u00e3o, de encarar o s\u00edtio (enquanto mundo) e n\u00e3o mais o lugar (enquanto espa\u00e7o). Um s\u00edtio nem local nem central: incorp\u00f3reo. Insubstancial. Que resulte de uma a\u00e7\u00e3o e rece\u00e7\u00e3o. Tal como uma obra de arte \u00e9 feita para algu\u00e9m a rececionar ou relacionar; experienciar. Pensemos assim: o CAPC tornou-se num lugar (n\u00e3o que n\u00e3o o seja em outros momentos), motivado pelas obras aqui expostas que permitiram o acesso, o uso e a presen\u00e7a do p\u00fablico. Servimo-nos deste lugar e com isso situamo-lo.<\/p>\n<p>O estado da arte e a arquitetura tendem a cruzar-se e a coabitar, a fundir-se \u2014 nem sempre numa rela\u00e7\u00e3o f\u00e1cil \u2014, uma vez que ambas as disciplinas t\u00eam vindo a questionar-se (desde, pelo menos, o s\u00e9culo passado) de forma m\u00fatua, possibilitando assim a cria\u00e7\u00e3o de campos h\u00edbridos, desde logo pelo interesse que artistas e arquitetos partilham pelo espa\u00e7o, lugar, s\u00edtio real, precisamente aquele onde a presen\u00e7a se faz sentir. Do Corpo. Do Homem. Da Vida. Neste contexto, a sele\u00e7\u00e3o destes artistas, e respetivas obras, aponta para estas quest\u00f5es e indica caminhos e\/ou possibilidades distintas na forma como estes termos se relacionam ou diferenciam; se aproximam ou afastam; se questionam ou afirmam \u2014 nas mais variadas formas, processos criativos, construtivos e investigacionais \u2014 de diferentes pr\u00e1ticas art\u00edsticas, que passam pela escultura (Ana Bezelga, constru\u00edda para este projeto; Carlos Nogueira; Diogo Piment\u00e3o; Jos\u00e9 Bechara; Nuno Sousa Vieira), v\u00eddeo (Carlos Bunga e Fernanda Fragateiro), objeto (Fernanda Fragateiro) e fotografia (Edgar Martins e In\u00eas d\u2019Orey). E ainda, por uma interven\u00e7\u00e3o concebida por Nuno Sousa Vieira para um espa\u00e7o exterior e adjacente ao CAAA (Centro Para os Assuntos da Arte e Arquitectura \u2014 onde este projeto itinerante se iniciou), que, n\u00e3o tendo sido feita especificamente para o CAPC, ir\u00e1 ocupar-lhe aqui um espa\u00e7o exterior, tal qual a ess\u00eancia da obra exige.<\/p>\n<p>Se te\u00f3rica e tendencialmente o artista contempor\u00e2neo tende a conceber e a criar obras tridimensionais e trabalha\/investiga <em>in situ<\/em>, analisando as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do lugar (contexto\/ambiente, utilizador\/habitante\/recetor, escala), e se a obra pretende dirigir-se \u00e0s pessoas que frequentam esse local, ent\u00e3o o artista deve ter um alargado leque de processos e preocupa\u00e7\u00f5es que podem abranger disciplinas como a Arquitetura, a Sociologia ou a Antropologia, tendo, assim, um papel cada vez mais transdisciplinar e multifuncional: aproximando a sua aten\u00e7\u00e3o ao processo investigativo de constru\u00e7\u00e3o e \u00e0 experi\u00eancia\/viv\u00eancia do espectador.<\/p>\n<p>\u00c9 desta forma que o artista (e o arquiteto) dever\u00e1 abordar a sua interfer\u00eancia no lugar que ser\u00e1 transformado em s\u00edtio. Um espa\u00e7o-real-geogr\u00e1fico-espec\u00edfico. E mais do que entender a paisagem urban\u00edstica ou perif\u00e9rica e o seu enquadramento, ter\u00e1 que ter em conta quem l\u00e1 viveu, vive e viver\u00e1.<\/p>\n<p>Tal como a tens\u00e3o e o jogo existente entre a vida e a arte, a arte e a arquitetura e o est\u00e9tico \u2014 seja ele o visual ou o relacional \u2014, quisemos aqui lan\u00e7ar um outro (jogo) entre o lugar e o s\u00edtio. Estes artistas, cada um \u00e0 sua maneira, oferecem um di\u00e1logo interessante com qualquer um dos jogos.<\/p>\n<p>Os limites, ou as fronteiras, entre a arte e a arquitetura come\u00e7aram a desfazer-se consoante ambas se interessaram na rela\u00e7\u00e3o entre a arte e o homem e o contexto, ambiente e natureza do lugar. Do s\u00edtio<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Miguel Sousa Ribeiro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Anne Cauquelin (2005), \u00abS\u00edtio, Lugar e Mundo\u00bb, <em>in<\/em> Gabriela Vaz Pinheiro (org.), <em>Curadoria do Local<\/em>, Torres Vedras, Transforma AC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00abO espa\u00e7o \u00e9, em ess\u00eancia, aquilo para o qual se criou lugar\u00bb. Esta afirma\u00e7\u00e3o de Martin Heidegger \u00e9 aqui entendida como an\u00e1loga ao Lugar \u2014 que queremos real\u00e7ar\/questionar. Um lugar dispon\u00edvel e de acesso: dotado de identidade, referente e sentido. 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