{"id":199,"date":"2013-04-06T16:39:58","date_gmt":"2013-04-06T16:39:58","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=199"},"modified":"2020-03-10T12:31:44","modified_gmt":"2020-03-10T12:31:44","slug":"antonio-melo-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/antonio-melo-2\/","title":{"rendered":"<b>Imagens idealizadas a vapor&#8230;<\/b><br>Ant\u00f3nio Melo"},"content":{"rendered":"<p>O longo t\u00edtulo para esta exposi\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Melo evidencia, desde logo, a rela\u00e7\u00e3o particular que este artista estabelece com o tempo. Uma pintura lenta na sua execu\u00e7\u00e3o, deliciosamente anacr\u00f3nica, porque sempre fora de tempo mas, por isso mesmo, provocadora na forma como interpela&nbsp;a nossa rela\u00e7\u00e3o com a contemporaneidade.<\/p>\n<p>Nesta exposi\u00e7\u00e3o para o C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas de Coimbra, Ant\u00f3nio Melo apresenta-nos pintura, desenhos e v\u00eddeo. E aqui o v\u00eddeo toma&nbsp;o lugar da performance, ao ponto se ser a pr\u00f3pria performance. E o autor est\u00e1 ali explicitamente presente, como se estivesse mesmo.<\/p>\n<p>Assumindo a possibilidade do artista prestidigitador, Ant\u00f3nio Melo deixa-nos sobretudo uma atmosfera melanc\u00f3lica como Buster Keaton, num imagin\u00e1rio simultaneamente maravilhoso&nbsp;e decetivo.<\/p>\n<p>\u201cImagens idealizadas a vapor\u201d como tudo na arte, nesta rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com as coisas, nestes mecanismos que prolongam a mente e o corpo como uma respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O conforto e, mesmo, a familiaridade com que nos relacionamos com a sua obra, levam a crer que isto existe mesmo, que a sua perce\u00e7\u00e3o passa mais pelo reconhecimento que pela estranheza.<\/p>\n<p>E \u00e9, assim, amavelmente, que a sua pintura apela ao prazer do fant\u00e1stico, desconcertante&nbsp;e anacr\u00f3nica, mas de um anacronismo absoluto,&nbsp;o que a aproxima da experi\u00eancia est\u00e9tica simbolista.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Melo dilui na paisagem o que \u00e9 constru\u00e7\u00e3o arquitet\u00f3nica, artif\u00edcio. E confessa que n\u00e3o \u00e9 propriamente a fantasia que o motiva, acredita mesmo que um dia as paisagens ser\u00e3o mais ou menos assim.<\/p>\n<p>Acredita que a Natureza s\u00f3 sobreviver\u00e1 pelo artif\u00edcio, o que me parece que talvez seja o mesmo que dizer que ela n\u00e3o sobreviver\u00e1 de todo. O que n\u00e3o \u00e9, para o Ant\u00f3nio Melo, propriamente uma coisa m\u00e1, at\u00e9 porque sempre considerou mais interessantes as representa\u00e7\u00f5es da Natureza do que a pr\u00f3pria Natureza. Talvez o futuro possa&nbsp;ser uma esp\u00e9cie de paisagem Disney, mas melhor.<\/p>\n<p>Nas suas telas, as cidades engolidas pela vegeta\u00e7\u00e3o, pelos musgos, pelos fungos, talvez n\u00e3o sejam uma vis\u00e3o catastr\u00f3fica do futuro mas uma esp\u00e9cie de constru\u00e7\u00e3o \u00e0 semelhan\u00e7a das ru\u00ednas inventadas pelos rom\u00e2nticos, para assim ado\u00e7ar&nbsp;as descontinuidades entre o natural e o constru\u00eddo.<\/p>\n<p>Neste \u201ccomp\u00eandio incompleto de ret\u00f3rica e performance\u201d, a ret\u00f3rica \u00e9 a das imagens, ou as imagens a tomar o lugar da ret\u00f3rica. Mas ret\u00f3rica \u201ce performance\u201d. Talvez sobretudo performance. Na velha quest\u00e3o entre forma e fundo na pintura,&nbsp;a performance de uma Gioconda que se camufla na paisagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ant\u00f3nio Olaio,&nbsp;Abril 2013<\/p>\n<div id=\"attachment_200\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desdobravel_AntonioMelo-ima1.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-200\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-200 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desdobravel_AntonioMelo-ima1.png\" alt=\"desdobravel_AntonioMelo-ima1\" width=\"400\" height=\"566\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desdobravel_AntonioMelo-ima1.png 400w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/desdobravel_AntonioMelo-ima1-212x300.png 212w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-200\" class=\"wp-caption-text\">Folha de Sala da Exposi\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>17H00<br \/>\nDebate &#8211; A Cultura&nbsp;em trabalhos&nbsp;&#8211; Artes Pl\u00e1sticas<br \/>\nTeresa Anacleto &#8211; Directora Executiva na Cristina Guerra Contemporary Art.<br \/>\nNatxo Checa &#8211; Fundador da Galeria ZDB<br \/>\nCarlos Antunes &#8211; Director do CAPC &#8211; Moderador<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O longo t\u00edtulo para esta exposi\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Melo evidencia, desde logo, a rela\u00e7\u00e3o particular que este artista estabelece com o tempo. 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