{"id":2016,"date":"2017-03-22T15:32:42","date_gmt":"2017-03-22T15:32:42","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=2016"},"modified":"2020-03-10T18:13:25","modified_gmt":"2020-03-10T18:13:25","slug":"tres-pass","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/tres-pass\/","title":{"rendered":"<b>Tres-Pass<\/b><br>Pedro Tudela"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Tres-Pass-Cartaz.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2017\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Tres-Pass-Cartaz.png\" alt=\"Tres-Pass [Cartaz]\" width=\"1121\" height=\"1586\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Tres-Pass-Cartaz.png 1121w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Tres-Pass-Cartaz-212x300.png 212w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Tres-Pass-Cartaz-724x1024.png 724w\" sizes=\"(max-width: 1121px) 100vw, 1121px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Entre<\/p>\n<p>Dezoito anos depois, Pedro Tudela regressa ao CAPC com uma exposi\u00e7\u00e3o que confirma a posi\u00e7\u00e3o \u00fanica, j\u00e1 antes perfeitamente discern\u00edvel, que ocupa no panorama da cria\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea nacional.<\/p>\n<p>Errante, o seu trabalho desliza inteligentemente entre meios que cruzam a manufatura e a tecnologia, a plasticidade materializada e a desmaterializa\u00e7\u00e3o sonora.<\/p>\n<p>Fundamental, na apreens\u00e3o deste trabalho, \u00e9 perceber que o seu di\u00e1logo n\u00e3o se estabelece no interior das disciplinas que revisita \u2013 ou seja, a sua utiliza\u00e7\u00e3o da fotografia n\u00e3o remete para um valor estritamente representacional e compositivo que se ancora na sua tradi\u00e7\u00e3o, tal como na escultura e na instala\u00e7\u00e3o procura sempre desvincular-se dos respetivos c\u00e2nones \u2013, porque a sua metodologia se aproxima mais de um recoletor compulsivo de est\u00edmulos e conceitos que depois d\u00e3o origem a situa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas diversificadas.<\/p>\n<p>Pedro Tudela sabe, como poucos, que a epiderme das propostas s\u00e3o um elemento fundamental num primeiro momento recetivo, e da\u00ed que o gosto pelos materiais \u2013 a madeira, o ferro, o couro, o n\u00e9on, o papel, etc. \u2013 lhe permita um di\u00e1logo que se v\u00ea aprofundado em momentos sequentes, por duas ordens de raz\u00e3o primordiais: por um lado, porque v\u00e3o estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de contiguidade ou fric\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o envolvente, por outro, porque a dimens\u00e3o sonora que frequentemente as complementa acaba por sublinhar uma leitura sensorial inusitada.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o sobre as dimens\u00f5es pl\u00e1sticas do som reveste-se de uma import\u00e2ncia supletiva, exatamente porque permite a cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma tensiva que se desdobra na evid\u00eancia manipulada daquilo que os materiais reclamam ou, num extremo oposto, lhes nega literalidade. Assim, o que manifestamente se reivindica \u00e9 o espa\u00e7o que est\u00e1 <em>entre<\/em> as coisas e os sentidos: a viv\u00eancia de rasuras no real e a descoberta desse real numa dimens\u00e3o revestida de absurdo.<\/p>\n<p>Em <em>Tres-Pass<\/em>, o trespasse recetivo imp\u00f5e uma imers\u00e3o no forro da visualidade simplificada, onde a experi\u00eancia do vivido, do sentido e do interpretado conduz a um alargamento das m\u00faltiplas e inesperadas possibilidades de nos situarmos de modo desviante nesse real subjetivamente constru\u00eddo.<\/p>\n<p>Pedro Tudela n\u00e3o nos fala diretamente da solid\u00e3o, de resist\u00eancia, de incomunicabilidade, das incongru\u00eancias no vivido, do estado flutuante da exist\u00eancia. Contudo, tal como rastos espectrais, tudo a\u00ed se manifesta, tudo a\u00ed reverbera.<\/p>\n<p><strong>Miguel von Hafe P\u00e9rez<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre Dezoito anos depois, Pedro Tudela regressa ao CAPC com uma exposi\u00e7\u00e3o que confirma a posi\u00e7\u00e3o \u00fanica, j\u00e1 antes perfeitamente discern\u00edvel, que ocupa no panorama da cria\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea nacional. Errante, o seu trabalho desliza inteligentemente entre meios que cruzam a manufatura e a tecnologia, a plasticidade materializada e a desmaterializa\u00e7\u00e3o sonora. 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