{"id":2183,"date":"2018-08-29T20:17:59","date_gmt":"2018-08-29T20:17:59","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=2183"},"modified":"2020-03-11T11:16:57","modified_gmt":"2020-03-11T11:16:57","slug":"retratos-da-minha-casa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/retratos-da-minha-casa\/","title":{"rendered":"<b>Retrato(s) da minha casa<\/b>"},"content":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o sobre os <em>Retrato(s) da minha casa<\/em> que de momento se encontra patente na velha <em>casa-sede<\/em> do C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas de Coimbra (CAPC), na Rua Castro Matoso, n.\u00ba 18, deseja celebrar, entre outras, <em>tr\u00eas casas<\/em>: a <em>casa-patrim\u00f3nio<\/em>, a <em>casa-corpo<\/em> e a <em>casa-mundo<\/em>. O Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia (dARQ) e o CAPC cuidaram assim da possibilidade de se ocuparem de muitas moradas, oferecendo, sobretudo \u00e0 cidade, uma diferente perspectiva sobre os <em>retratos<\/em> dessas tr\u00eas casas. Em tr\u00eas dos pisos da mais antiga morada do CAPC, podem decerto descobrir-se algumas <em>casas<\/em> que, porventura, todos (re)conhecemos e habitamos, e n\u00e3o apenas fisicamente como <em>corpo<\/em>. Os seus <em>retratos<\/em>, acreditamos, ir\u00e3o despertar-nos emo\u00e7\u00f5es e lembrar mem\u00f3rias que, julgar-se-iam, idas e t\u00e3o-s\u00f3 nossas.<\/p>\n<p>Coimbra, 22 de Agosto de 2018<\/p>\n<p>D\u00e9sir\u00e9e Pedro e Lu\u00eds Miguel Correia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/desdobravel-cartaz_RetratosMinhaCasa_SET18_online.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2184\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/desdobravel-cartaz_RetratosMinhaCasa_SET18_online.jpg\" alt=\"desdobravel-cartaz_RetratosMinhaCasa_SET18_online\" width=\"1123\" height=\"1587\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/desdobravel-cartaz_RetratosMinhaCasa_SET18_online.jpg 1123w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/desdobravel-cartaz_RetratosMinhaCasa_SET18_online-212x300.jpg 212w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/desdobravel-cartaz_RetratosMinhaCasa_SET18_online-725x1024.jpg 725w\" sizes=\"(max-width: 1123px) 100vw, 1123px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre os retratos da vossa casa&#8230; que agora tamb\u00e9m s\u00e3o nossos!<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o sobre os <em>Retrato(s) da minha casa<\/em> que de momento se encontra patente na velha <em>casa-sede<\/em> do C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas de Coimbra (CAPC), na Rua Castro Matoso, n.\u00ba 18, procede de uma proposta submetida \u00e0 20.\u00aa Semana Cultural da Universidade de Coimbra, que, recorde-se, neste ano de 2018 pretendeu celebrar, de entre outras, <em>tr\u00eas casas<\/em> \u2014 como sabemos, a <em>casa-patrim\u00f3nio<\/em>, a <em>casa-corpo<\/em> e a <em>casa-mundo<\/em>. Pressentindo que o programa desta Semana Cultural da UC <em>(se) ocuparia (de) muitas moradas<\/em>, o Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia (dARQ) e o CAPC cuidaram assim da possibilidade de lhe oferecer, e tamb\u00e9m \u00e0 cidade, uma diferente perspectiva sobre o <em>retrato<\/em> dessas tr\u00eas casas. Decerto, tratava-se de uma grande retrospectiva, vista ao mesmo tempo como uma oportunidade de as descobrir, as ditas <em>tr\u00eas casas<\/em>, a uma outra escala, porventura mais reduzida e detalhada, que no verso e t\u00edtulo de um dos muitos e sugestivos poemas de Ruy Belo a UC desvelou o corpo de reflex\u00e3o: <em>Oh as casas as casas as casas<\/em><sup>2<\/sup>. Confiamos que <em>as casas nascem, vivem e morrem<\/em>, e, quase sempre, <em>enquanto vivas, se distinguem umas das outras<\/em>, por exemplo, at\u00e9 se <em>distinguem designadamente pelo cheiro<\/em>&#8230; e <em>variam at\u00e9 de sala para sala<\/em>. \u00c0 vista deste portugu\u00eas nascido em 27 de Fevereiro de 1933, em S. Jo\u00e3o da Ribeira, no concelho de Rio Maior, igualmente n\u00f3s, dia-a-dia, nos indagamos sobre <em>as casas que eu fazia em pequeno<\/em> e, por isso, <em>onde estarei eu hoje em pequeno?<\/em>; <em>Onde estarei ali\u00e1s eu dos versos daqui a pouco?<\/em>. Afinal, <em>terei eu casa onde reter tudo isto ou serei sempre somente esta instabilidade?<\/em> Quem de n\u00f3s esquece que <em>as casas essas parecem est\u00e1veis mas s\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1geis as pobres casas<\/em>: <em>Oh as casas as casas as casas&#8230; mudas testemunhas da vida<\/em>. <em>Elas morrem n\u00e3o s\u00f3 ao ser demolidas<\/em>, mas, sobretudo, <em>elas morrem com a morte das pessoas<\/em>. Indiferentes, <em>as casas de fora olham-nos pelas janelas<\/em> e, como tamb\u00e9m n\u00f3s percebemos, <em>n\u00e3o sabem nada de casas os construtores<\/em>, <em>os senhorios<\/em> e<em> os procuradores<\/em>, por certo aos quais se poderiam juntar tantos outros actores da vida das nossas <em>casas<\/em>. Do mesmo modo, talvez seja vis\u00edvel que <em>os ricos vivem nos seus pal\u00e1cios, mas a casa dos pobres \u00e9 todo o mundo<\/em>. Da\u00ed Ruy Belo nos relembrar que <em>os pobres sim t\u00eam o conhecimento das casas<\/em>, <em>os pobres esses conhecem tudo<\/em>. N\u00f3s, como ele, ainda confessamos que amamos as<em> casas<\/em>, <em>os recantos das casas<\/em>, que visitamos <em>casas<\/em> e que apalpamos <em>casas<\/em>. <em>S\u00f3 as casas explicam que exista uma palavra como intimidade<\/em>. Nos lugares (em) que habitamos, <em>sem casas n\u00e3o haveria ruas<\/em>&#8230; <em>as ruas onde passamos pelos outros<\/em>, <em>mas passamos principalmente por n\u00f3s<\/em>. A casa \u00e9 o abrigo, ref\u00fagio e \u00faltimo reduto dessa intimidade. Por natureza, a casa \u00e9 o lugar que elegemos para guardar as nossas mem\u00f3rias e projectar os nossos sonhos, por mais pequenos que sejam, onde garantidamente o espa\u00e7o e o tempo nos relacionam com o mundo que nos rodeia, por hoje globalizado, e com aquele outro que pertence \u00e0 nossa intimidade. Porque na casa fatalmente vivemos, acomodamos e acumulamos essas mem\u00f3rias e sonhos; idem na <em>casa<\/em>, e \u00e0 luz das palavras de Ruy Belo, nascemos e havemos de <em>morrer<\/em>, na <em>casa<\/em> sofremos, convivemos e am\u00e1mos, na <em>casa<\/em> atravess\u00e1mos as <em>esta\u00e7\u00f5es<\/em>, e, por fim, sempre respir\u00e1mos \u2014 <em>\u00f3 vida simples problema de respira\u00e7\u00e3o<\/em>&#8230; Suspiramos: <em>Oh as casas as casas as casas<\/em>&#8230; Com parte de <em>Ou o Poema Cont\u00ednuo<\/em><sup>3<\/sup>, de Herberto Helder, no horizonte, pois <em>falemos de casas como quem fala da sua alma<\/em>. Poderemos n\u00e3o o celebrar, segundo revela o poeta nascido em 23 de Novembro de 1930 no Funchal, <em>entre um inc\u00eandio, junto ao modelo das searas, na aprendizagem da paci\u00eancia de v\u00ea-las erguer e morrer com um pouco, um pouco de beleza<\/em>. Conquanto o quadro seja outro, procur\u00e1mos que os inconfund\u00edveis espa\u00e7os da casa-m\u00e3e do CAPC acolhessem a <em>intimidade<\/em> de certas <em>casas<\/em>, cujos singulares <em>retratos<\/em> nos foram generosamente cedidos pelos seus moradores&#8230; e <em>que agora tamb\u00e9m s\u00e3o nossos<\/em>!<\/p>\n<p>Em tr\u00eas dos pisos da mais antiga morada do CAPC, percorreremos assim algumas <em>casas<\/em> que invariavelmente todos (re)conhecemos e habitamos, e n\u00e3o apenas fisicamente como <em>corpo<\/em>. Os seus <em>retratos<\/em>, acreditamos, ir\u00e3o despertar-nos emo\u00e7\u00f5es e lembrar mem\u00f3rias que, julgar-se-iam, idas e t\u00e3o-s\u00f3 nossas. Por esta raz\u00e3o, cremos que tais <em>retratos da intimidade agora tamb\u00e9m s\u00e3o nossos<\/em>. Qui\u00e7\u00e1 se possam, afinal, observar como <em>casas-patrim\u00f3nios<\/em>. Naturalmente se conclui que n\u00e3o as contempl\u00e1mos como mero <em>corpo material<\/em>, importou-nos sobremodo cede-las como um lugar de apropria\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia pessoais. Em qual lugar cada um dos que as visite possa encontrar um espa\u00e7o seu. Foi neste sentido instigados pelo desejo de <em>habitar<\/em> algumas dessas <em>casas do mundo<\/em> real ou do <em>mundo sonhado<\/em> que, de forma inadvertida, tom\u00e1mos a liberdade de desafiar um conjunto de pessoas pertencentes a diferentes \u00e1reas do saber para connosco partilharem as suas <em>casas<\/em>, as <em>f\u00edsicas<\/em> e as das <em>mem\u00f3rias<\/em>. Os <em>retratos <\/em>em exibi\u00e7\u00e3o no CAPC s\u00e3o, por conseguinte, uma rara fresta aberta para a <em>casa<\/em> de cada um dos nossos convidados, que, reiteramos, em boa altura tiveram a bondade de nos deixar espreitar e, por vezes, tamb\u00e9m entrar. Porque as <em>mem\u00f3rias<\/em> se guardam, aguardamos que estes <em>retrato(s) da minha casa<\/em> possam determinar outros <em>retratos<\/em>.<\/p>\n<p>S\u00e3o vinte e uma as<em> casas<\/em> que se exp\u00f5em na <em>intimidade<\/em> da <em>casa<\/em> do CAPC: <em>OIKOLO\u0301GIO<\/em>, de Ant\u00f3nio Bel\u00e9m Lima; <em>Polka Dot Brain<\/em>, de Ant\u00f3nio Olaio; <em>Whose &#8216;Head Full of Houses&#8217;?<\/em>, de Bruno Gil; <em>S\/ti\u0301tulo (fragmentos da casa)<\/em>, de Carlos Antunes; <em>As Casas de Lina<\/em>, de Gon\u00e7alo Canto Moniz; <em>o desafogamento em contagem crescente<\/em>, de Joana Monteiro; <em>Stig Dagerman, A nossa Necessidade de Consolo e\u0301 Impossi\u0301vel de Satisfazer, edic\u0327a\u0303o VS., Lisboa, 2018\/Henry Miller, Viragem aos Oitenta, edic\u0327a\u0303o VS., Lisboa, no prelo\/T. S. Eliot, Prufrock e Outras Observac\u0327o\u0303es, edic\u0327a\u0303o VS., Lisboa, no prelo<\/em>, de Jo\u00e3o Bicker; <em>Casa Corpo<\/em>, de Jo\u00e3o Mendes Ribeiro; <em>S\/ti\u0301tulo<\/em>, de Joaquim Almeida; <em>SP Copain<\/em>, de Jorge Figueira; <em>Homeless Town<\/em>, de Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha; <em>Um quarto e\u0301 o ini\u0301cio da arquitectura<\/em>, de Jos\u00e9 Cabral Dias; <em>Hotel Lisboa #1 e #2<\/em>, de Jos\u00e9 Ma\u00e7\u00e3s de Carvalho; <em>Arquivo Parcial de Objectos Correntes em Gestac<\/em><em>\u0327<\/em><em>o<\/em>, de Liza\u0301 Defossez Ramalho &amp; Artur Rebelo \u2014 R2; <em>Ulisses<\/em>, de Lu\u00eds Quintais; <em>What\u2019s In My Bag?<\/em>, de Maria Gambina; <em>Atmosferas<\/em>, de Maria Milano; <em>a casa de julho e agosto<\/em>, de Paulo Seco; <em>A minha casa nos Ac\u0327ores<\/em>, de Pedro Maur\u00edcio Borges; <em>The Unknown House<\/em>, de Pedro Pousada; <em>Retratos da minha casa: livro para pintar<\/em>, de Teresa Pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Este texto n\u00e3o segue a grafia do recente Acordo Ortogr\u00e1fico.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Belo, Ruy (2000). <em>Todos os Poemas<\/em>. Lisboa: Ass\u00edrio &amp; Alvim.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Helder, Herberto (2001). <em>Ou o Poema Cont\u00ednuo<\/em>. Lisboa: Ass\u00edrio &amp; Alvim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coimbra, 22 de Agosto de 2018<\/p>\n<p>D\u00e9sir\u00e9e Pedro e Lu\u00eds Miguel Correia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.yumpu.com\/pt\/embed\/view\/XyzJsSQfUmp4OEvx\" width=\"620px\" height=\"572px\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/weww.mp4\"><\/video><figcaption>Reportagem da ESEC TV<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o sobre os Retrato(s) da minha casa que de momento se encontra patente na velha casa-sede do C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas de Coimbra (CAPC), na Rua Castro Matoso, n.\u00ba 18, deseja celebrar, entre outras, tr\u00eas casas: a casa-patrim\u00f3nio, a casa-corpo e a casa-mundo. 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