{"id":3095,"date":"2020-02-17T15:18:18","date_gmt":"2020-02-17T15:18:18","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=3095"},"modified":"2020-05-22T15:28:02","modified_gmt":"2020-05-22T15:28:02","slug":"a-batida-que-faz-te-sujo-the-beat-that-makes-you-dirty","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/a-batida-que-faz-te-sujo-the-beat-that-makes-you-dirty\/","title":{"rendered":"<b>A Batida Que Faz-te Sujo<\/b><br>Irineu Destourelles"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A Batida Que Faz-te Sujo<\/em>, exposi\u00e7\u00e3o que re\u00fane v\u00eddeos e textos por Irineu Destourelles, estar\u00e1 patente de 22 de fevereiro a 4 de abril de 2020 na Sede do C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas de Coimbra. A exposi\u00e7\u00e3o inclui um v\u00eddeo, que esteve presente na sua mostra mais recente no Museu Calouste Gulbenkian, e outros trabalhos que emergem como resposta ao espa\u00e7o e \u00e0 necessidade da cria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Em seis salas do edif\u00edcio, encontram-se trabalhos tematicamente relacionados com a condi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do indiv\u00edduo no p\u00f3s-colonial, que, no entanto, s\u00e3o constru\u00eddos segundo estrat\u00e9gias diversas e abordam a identidade perante a mem\u00f3ria coletiva, o corpo e a escrita como elementos des-reguladores.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"725\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/CAPC_Irineu_Fev2020-1-725x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3423\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/CAPC_Irineu_Fev2020-1-725x1024.jpg 725w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/CAPC_Irineu_Fev2020-1-212x300.jpg 212w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/CAPC_Irineu_Fev2020-1-768x1085.jpg 768w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/CAPC_Irineu_Fev2020-1.jpg 1123w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1952, Frantz Fanon faz refer\u00eancia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o ambivalente do colonizado \u2014 que, assimilando a L\u00edngua e cultura do colonizador, acaba por perceber que jamais ser\u00e1 por ele aceite como igual \u2014 e aos problemas psicol\u00f3gicos que o afetam como consequ\u00eancia das diferentes formas de viol\u00eancia colonial. Para Destourelles, o cen\u00e1rio que Fanon descreve continua a manifestar-se no contempor\u00e2neo segundo formas diferentes, visto que o \u00aboutro\u00bb n\u00e3o est\u00e1 imune \u00e0 viol\u00eancia discursiva constituinte das narrativas culturais dominantes. Com base nas suas experi\u00eancias como cabo-verdiano e africano que cresce em Lisboa e que vive na Europa, a instabilidade emocional e psicol\u00f3gica do estrangeiro, do indiv\u00edduo caracterizado como externo em contextos sociais, encontra-se no centro da sua pr\u00e1tica art\u00edstica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A escrita, que lhe permite, por vezes sem uma l\u00f3gica clara, questionar o conhecimento segundo oposi\u00e7\u00f5es e estruturas bin\u00e1rias formalizadas, \u00e9 o elemento estruturante de muitos dos seus trabalhos, incluindo um trabalho em texto e dois dos v\u00eddeos presentes na exposi\u00e7\u00e3o. <em>How To Think, Feel and Act in this Space<\/em> (<em>Como Pensar, Sentir e Agir Neste Espa\u00e7o<\/em>), 2020, constitu\u00eddo por um conjunto de frases escritas diretamente sobre paredes de duas salas do espa\u00e7o, re-visita a necessidade que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do CAPC, que emergiu como um lugar onde artistas da vanguarda portuguesa desenvolveram conceitos alternativos. Atrav\u00e9s das frases, Destourelles questiona a sua posi\u00e7\u00e3o como indiv\u00edduo que, similarmente ao colonizado assimilado, se encontra simultaneamente entre a cumplicidade com e a contesta\u00e7\u00e3o de normas sociais, propondo a si pr\u00f3prio novas formas de autoperce\u00e7\u00e3o e de relacionamento com o espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Person Tumbling, Voice and Text Concerning a Perverted Hybrid Man (Pessoa a Desarrochar, Voz e Texto Acerca de Uma Pessoa H\u00edbrida Pervertida)<\/em>, 2020, inclui a voz de Destourelles em L\u00edngua Portuguesa, na primeira pessoa, como narrador, e legendagem em L\u00edngua Inglesa na terceira pessoa. A narrativa faz refer\u00eancia a um indiv\u00edduo caracterizado como h\u00edbrido num contexto contempor\u00e2neo, que apresenta similaridades com uma sociedade escravocrata em que a hierarquiza\u00e7\u00e3o e categoriza\u00e7\u00e3o de pessoas \u00e9 integral ao fabrico da linguagem. <em>The Beat Lyrics and Building Site (Batida, L\u00edricas e Obra)<\/em>, 2020, conjuga o que se prop\u00f5e que sejam quatro (bases) para l\u00edricas de can\u00e7\u00f5es de m\u00fasica <em>pop<\/em>-eletr\u00f3nica e uma batida de m\u00fasica eletr\u00f3nica composta por Trepiche. As l\u00edricas possuem conte\u00fado ideol\u00f3gico que exige do indiv\u00edduo que as consome que se condicione perante uma sociedade que a\/o subalterniza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00f5es relacionadas com a identidade perante a mem\u00f3ria coletiva e o corpo pontuam a sua pr\u00e1tica art\u00edstica e s\u00e3o abordadas em dois v\u00eddeos que t\u00eam como base material apropriado e a performance. <em>Auto-retrato, Reportagem e F\u00e9rias em Fam\u00edlia em L\u00e9opoldville e Quinxassa (Self-portrait, Newsreel and Family Holidays in Leopoldville and Kinshasa)<\/em>, 2020 (2017), que inclui cenas apropriadas de um filme dom\u00e9stico com uma fam\u00edlia portuguesa de f\u00e9rias em L\u00e9opoldville e Quinxassa, possivelmente antes e durante a Guerra Colonial Portuguesa (1962\u20131974), som apropriado da primeira reportagem efetuada na frente de guerra na Guin\u00e9-Bissau, em 1969, por um canal televisivo franc\u00eas e a imagem digitalizada de um desenho por Destourelles, questiona a forma como a mem\u00f3ria colonial contribui para processos identit\u00e1rios. Em <em>Several Ways of Falling Ordered Differently (Varias Maneiras de Cair Organizadas Diferentemente)<\/em>, 2019, filmado na horta do seu pai nos sub\u00farbios de Lisboa, onde este planta vegetais tropicais, Destourelles cai para a c\u00e2mara v\u00e1rias vezes e essas quedas s\u00e3o apresentadas em mosaico, repetida e simultaneamente. A personagem assume cada queda como algo inevit\u00e1vel para l\u00e1 do seus des\u00edgnios; no entanto, tenta controlar a forma como cai realizando atos de microrresist\u00eancia, atos invis\u00edveis que sublinham uma subjetividade condicionada. Ele compreende o espa\u00e7o da performance simultaneamente como refer\u00eancia ao p\u00f3s-colonial e ao p\u00f3s-salazarismo em que cresceu e como o local onde o seu pai exerce nostalgia sobre o contexto colonial e salazarista do Cabo Verde da sua juventude.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biografia Irineu Destourelles<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Irineu Destourelles (Santo Ant\u00e3o, Cabo Verde, 1974) trabalha primariamente com v\u00eddeo, escrita e desenho, focando-se em narrativas contradit\u00f3rias relacionadas com a identidade p\u00f3s-colonial. Destourelles frequentou o curso de Engenharia Agron\u00f3mica na Universidade T\u00e9cnica de Lisboa, \u00e9 licenciado em Belas Artes pela Willem de Kooning Academy, Roterd\u00e3o, e mestre em Belas Artes pela Central Saint Martins School of Art &amp; Design, Londres. O seus trabalhos t\u00eam sido inclu\u00eddos em proje\u00e7\u00f5es coletivas no ICA (Londres), Hangar Bicocca (Mil\u00e3o), e Transmediale (Berlim); e em exposi\u00e7\u00f5es coletivas na Videobrasil 18 (S\u00e3o Paulo), Showroom MAMA (Roterd\u00e3o), UNISA Art Gallery (Pret\u00f3ria). Exp\u00f4s individualmente na Transmission Gallery (Glasgow) e no Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa).<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Batida Que Faz-te Sujo, exposi\u00e7\u00e3o que re\u00fane v\u00eddeos e textos por Irineu Destourelles, estar\u00e1 patente de 22 de fevereiro a 4 de abril de 2020 na Sede do C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas de Coimbra. 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