{"id":3462,"date":"2020-07-16T18:03:05","date_gmt":"2020-07-16T18:03:05","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=3462"},"modified":"2020-11-19T18:45:25","modified_gmt":"2020-11-19T18:45:25","slug":"joana-villaverde","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/joana-villaverde\/","title":{"rendered":"Joana Villaverde"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"725\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cartaz_desdobravel_novadata_joana-725x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3681\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cartaz_desdobravel_novadata_joana-725x1024.jpg 725w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cartaz_desdobravel_novadata_joana-212x300.jpg 212w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cartaz_desdobravel_novadata_joana-768x1085.jpg 768w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cartaz_desdobravel_novadata_joana.jpg 1123w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-7-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3646\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-7-1024x680.jpg 1024w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-7-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-7-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-4-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3647\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-4-1024x680.jpg 1024w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-4-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-inauguracao-4-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-2-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3645\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-2-1024x680.jpg 1024w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-2-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-2-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-3-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3644\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-3-1024x680.jpg 1024w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-3-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/joana-villaverde-montagem-exp-3-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><br><br><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O olhar como um gesto, <\/strong><br><strong>como um corpo<\/strong><br><\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta exposi\u00e7\u00e3o, intitulada <em>Looking at animals<\/em>, de Joana Villaverde, a rela\u00e7\u00e3o com o Outro \u00e9 constru\u00edda sobre uma linhagem de rela\u00e7\u00f5es que invariavelmente nos confronta com o corpo, com um determinado contexto onde esse corpo se expande ou, pelo contr\u00e1rio, se contrai e reencontra o seu sentido noutras morfologias que aparentemente escapam \u00e0 figura humana, mas da qual resgatam um sentido da vida que nos conduz a repensar-nos enquanto seres em rela\u00e7\u00e3o, que se olham e se reconhecem, sejam estes animais, no sentido mais literal, ou humanos, numa acep\u00e7\u00e3o \u00e9tica, moral e pol\u00edtica que nos define.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As obras expostas foram concebidas em meios diversos, como a pintura a \u00f3leo, o desenho e o v\u00eddeo, fortemente marcados por um desenho vigoroso e por vezes pr\u00f3ximo de uma pr\u00e1tica expressionista, representando diversos animais. Regressamos, deste modo, \u00e0 alteridade, com os outros, com o nosso olhar, e com os espa\u00e7os e os lugares que estes habitam e que vivem no quotidiano da artista. Mesmo quando se fixa num determinado lugar, como o ateli\u00ea, \u00e9 parte da vida que decorre todos os dias diante daquela paisagem onde a artista vive, das altera\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas e lum\u00ednicas que trespassam as amplas janelas e constroem um tempo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, experimentando e trabalhando em diferentes escalas e formatos. Acresce ainda, e \u00e9 um dado importante, o seu interesse pela literatura e pelo cinema, que se constituem como heterotopias que se cruzam num processo cumulativo e por vezes contradit\u00f3rio, no sentido em que a artista produz uma desconstru\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os imaginados, fragmentando e dissecando cada momento e cada lugar ficcional. Neste \u00e2mbito, a obra do fil\u00f3sofo e escritor John Berger intitulada <em>Why Look at Animals?<\/em><sup>1<\/sup> tem uma particular import\u00e2ncia na reflex\u00e3o que o trabalho desenvolvido para a exposi\u00e7\u00e3o exigiu. A artista coloca-nos perante uma frase, ou uma proposi\u00e7\u00e3o, que nos convoca a deter o nosso olhar sobre os animais. Em princ\u00edpio, ser\u00e1 sobre os animais que fazem parte da exposi\u00e7\u00e3o, mesmo sob uma perspectiva que nos recorda hist\u00f3rias encantadas que s\u00e3o tamb\u00e9m questionamentos da a\u00e7\u00e3o humana, como por exemplo na pe\u00e7a <em>Os m\u00fasicos de Bremen<\/em>, uma composi\u00e7\u00e3o fragmentada nos dois eixos da folha que faz refer\u00eancia a um conto tradicional alem\u00e3o publicado pelos Irm\u00e3os Grimm. Por outro lado, duas obras intituladas <em>Vaca I<\/em> e <em>Vaca II<\/em>, talvez animais que habitam a paisagem em que a artista vive, s\u00e3o representadas como se fossem imagens de uma mem\u00f3ria cinematogr\u00e1fica, nessa profundidade de campo, como uma esp\u00e9cie de <em>trompe l\u2019oeil <\/em>que emudece a tenta\u00e7\u00e3o do mero retrato daqueles animais.&nbsp; Mas uma outra obra, intitulada <em>H\u00cdBRIDO<\/em>, confronta-nos com um grande plano sobre uma cabe\u00e7a de um animal que dificilmente distinguimos na proximidade ou semelhan\u00e7a com os outros. Pode ser um c\u00e3o ou um cavalo, ou um ser m\u00edtico, por exemplo, mas pode ser s\u00f3 uma cabe\u00e7a sobre um fundo escuro, terroso, que nos olha e abre a sua mand\u00edbula como se nos atirasse um grito, talvez at\u00e9 um chamamento que nunca iremos ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem escrita presente nos t\u00edtulos, por vezes de compreens\u00e3o menos imediata, tem uma particular relev\u00e2ncia no caso de <em>OXI<\/em>, duas pinturas de grande formato que identificam uma representa\u00e7\u00e3o de um can\u00eddeo, ou de um pequeno desenho com uma linha que parece enunciar um perfil, porventura abstracto \u2014 e somos colocados perante um embuste. Que \u00e9, ou porqu\u00ea, <em>Oxi<\/em>? <em>Oxi<\/em> \u00e9 uma palavra grega, um adv\u00e9rbio de nega\u00e7\u00e3o. Uma das obras, <em>OXI II<\/em>, apresenta um grande plano sobre o olhar do animal, enquanto <em>OXI I<\/em> nos confronta com uma posi\u00e7\u00e3o do corpo que quase poder\u00edamos assemelhar a um movimento de defesa. O t\u00edtulo das duas obras \u00e9 revelador dessa geografia heterot\u00f3pica, em que o aspecto vernacular e quotidiano da vida da artista coexiste com uma consci\u00eancia social do seu tempo. <em>Oxi<\/em> \u00e9, deste modo, tanto um adv\u00e9rbio de nega\u00e7\u00e3o como uma palavra que se encontra numa zona paradoxal, entre o afecto, o acaso e a necessidade de deslocar o significado de um acontecimento. Por um lado, est\u00e1 intimamente ligada ao nome do animal representado, a cadela da artista, e por outro, marca um determinante momento pol\u00edtico europeu, pois foi o <em>slogan <\/em>mais ouvido no dia do plebiscito grego, que em 2015 rejeitou as pol\u00edticas econ\u00f3micas europeias para a Gr\u00e9cia. Joana Villaverde n\u00e3o age sob a raz\u00e3o celebrat\u00f3ria de um acontecimento. Ao inv\u00e9s, junta e funde diversos acontecimentos que est\u00e3o marcados pela mem\u00f3ria colectiva, e simultaneamente pela sua intimidade, pela casa, e por todos os que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos. E de forma semelhante, nas pequenas pe\u00e7as em v\u00eddeo, resiste uma circularidade auto-referencial da palavra dita, e no movimento do desenho, um processo de oculta\u00e7\u00e3o e de revela\u00e7\u00e3o, em que, ao contr\u00e1rio das pe\u00e7as de grande formato, parecem extinguir-se num fragmento do tempo, mas regressam construindo-se como mem\u00f3rias que se sedimentam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jo\u00e3o Silv\u00e9rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">O autor segue o anterior Acordo Ortogr\u00e1fico.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">NOTA<br>1&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; John Berger, <em>Why Look at Animals?<\/em>, Londres: Penguin Books, 2009.<br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O olhar como um gesto, como um corpo Nesta exposi\u00e7\u00e3o, intitulada Looking at animals, de Joana Villaverde, a rela\u00e7\u00e3o com o Outro \u00e9 constru\u00edda sobre uma linhagem de rela\u00e7\u00f5es que invariavelmente nos confronta com o corpo, com um determinado contexto onde esse corpo se expande ou, pelo contr\u00e1rio, se contrai e reencontra o seu sentido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3636,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3462"}],"collection":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3462"}],"version-history":[{"count":10,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3683,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3462\/revisions\/3683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3636"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}