{"id":3464,"date":"2020-07-16T18:05:06","date_gmt":"2020-07-16T18:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=3464"},"modified":"2020-11-06T09:17:04","modified_gmt":"2020-11-06T09:17:04","slug":"rui-sanches","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/rui-sanches\/","title":{"rendered":"Rui Sanches"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"725\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cartazA3_CAPC_RuiSanches_SET2020-725x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3626\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cartazA3_CAPC_RuiSanches_SET2020-725x1024.jpg 725w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cartazA3_CAPC_RuiSanches_SET2020-212x300.jpg 212w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cartazA3_CAPC_RuiSanches_SET2020-768x1085.jpg 768w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cartazA3_CAPC_RuiSanches_SET2020.jpg 1123w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o integra um conjunto de desenhos e esculturas de Rui Sanches. As obras foram escolhidas tendo em conta as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do espa\u00e7o: tr\u00eas compartimentos iguais, longos, com uma grande janela virada para o parque, o que permite a vista do interior para o exterior e, em alternativa, uma vis\u00e3o quase cenogr\u00e1fica do exterior para o interior das salas de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/rui-sanches-vistas-exp-1.tif\" alt=\"\" class=\"wp-image-3632\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rui-sanches-inauguracao-4-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3653\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rui-sanches-inauguracao-4-1024x680.jpg 1024w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rui-sanches-inauguracao-4-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/rui-sanches-inauguracao-4-768x510.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rui Sanches<\/h2>\n\n\n\n<p>A obra de Rui Sanches (Lisboa, 1954) tem vindo a desenvolver-se, desde a primeira exposi\u00e7\u00e3o individual em 1984, como uma extensa reflex\u00e3o em torno de tr\u00eas quest\u00f5es fundamentais: a rela\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o moderna<br>e contempor\u00e2nea com a hist\u00f3ria e os diferentes fantasmas que nela permanentemente se insinuam; a possibilidade de pensar o ponto de vista do espectador; e a rela\u00e7\u00e3o da arte com o mundo \u2014 seja por processos de ressignifica\u00e7\u00e3o, de rela\u00e7\u00e3o com o contexto, de cita\u00e7\u00e3o ou par\u00e1frase de obras referenciais da hist\u00f3ria da pintura.<\/p>\n\n\n\n<p>Rui Sanches, que come\u00e7ou o seu percurso pela pintura, no Ar.Co \u2013 Centro de Arte e Comunica\u00e7\u00e3o Visual, em Lisboa, veio a centrar-se na escultura a partir da sua forma\u00e7\u00e3o no Goldsmiths\u2019 College, em Londres (onde estudou entre 1977 e 1980), interesse reafirmado nos dois anos seguintes em que estudou na universidade de Yale, nos estados unidos. Manteve, no entanto, uma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica e reiterada de desenho. esta exposi\u00e7\u00e3o coloca em confronto o trabalho escult\u00f3rico e a a pr\u00e1tica do desenho e retoma o caminho h\u00edbrido entre ambos, que se afirmou desde o tempo das primeiras esculturas\/desenho que realizou enquanto estudante em Londres, em 1977\/8.<\/p>\n\n\n\n<p>O percurso que a exposi\u00e7\u00e3o prop\u00f5e confronta momentos diversos do trabalho de Sanches: por um lado, retoma as obras escult\u00f3ricas que estabelecem um elo entre uma determinada conce\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica do processo escult\u00f3rico, ligando-o a uma corporalidade que \u00e9 sempre convocada, e o di\u00e1logo com a arquitetura ou, em termos mais amplos, com a racionalidade do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho de Rui Sanches, esse tri\u00e2ngulo (entre a modula\u00e7\u00e3o de uma orografia especulativa, a evoca\u00e7\u00e3o de formas corporais e a racionalidade do espa\u00e7o arquitet\u00f3nico) tem estado sempre presente. De facto, esse tri\u00e2ngulo corresponde a uma abordagem deliberada da indaga\u00e7\u00e3o sobre o que pode determinar a pr\u00e1tica da escultura. No seu percurso, a pesquisa acerca da rela\u00e7\u00e3o entre a evoca\u00e7\u00e3o ancestral e escatol\u00f3gica do corpo inerente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o f\u00fanebre e celebrat\u00f3ria da escultura liga-se \u00e0 possibilidade de entender o espa\u00e7o como uma declina\u00e7\u00e3o corporal, t\u00e3o racionalmente desenhada \u2014 numa tradi\u00e7\u00e3o que procura na heran\u00e7a do s\u00e9culo XVIII \u2014 como fisicamente segregada. Por isso \u00e9 que, repetidamente, se tem abordado o trabalho de Rui Sanches como um permanente di\u00e1logo entre a organicidade e a racionalidade constru\u00edda da forma. No entanto, esta ponte que o artista desenha \u00e9 bastante mais ampla, uma vez que transporta para a superf\u00edcie da rela\u00e7\u00e3o com o espectador<br>um espectro muito mais amplo de interroga\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos, implicando a rela\u00e7\u00e3o com a imagem \u2014 e com essa m\u00e1quina hist\u00f3rica de produ\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica que \u00e9 a pintura \u2014, a posi\u00e7\u00e3o do espectador, que, m\u00f3vel, gera sempre pontos de vista, e a quest\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o.Inerente ao seu trabalho est\u00e1, ent\u00e3o, a pergunta sobre a natureza do art\u00edstico enquanto processo de representa\u00e7\u00e3o (por imagens, objetos, corpos, a\u00e7\u00f5es) e a iman\u00eancia na qual reside a possibilidade da arte: n\u00e3o h\u00e1 qualquer transcend\u00eancia em arte que n\u00e3o nas\u00e7a de uma aguda iman\u00eancia, nem h\u00e1 conceito que n\u00e3o esteja ancorado na possibilidade f\u00edsica da sua fenomenologia. \u00c9 assim, ent\u00e3o, que a materialidade das suas obras, o seu car\u00e1cter f\u00edsico e contido, se reporta muitas vezes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o h\u00e1ptica e imposs\u00edvel da escultura que n\u00e3o pode ser tocada e que, portanto, \u00e9 percecionada como imagem. No entanto, se assim \u00e9, ent\u00e3o as suas entidades tridimensionais mergulham na hist\u00f3ria das imagens art\u00edsticas \u2014 s\u00e3o esculturas votadas ao toque que n\u00e3o pode ser cumprido, possuem a sua er\u00f3tica escondida na sua rela\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a situa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e arquitet\u00f3nica do CAPC serve magistralmente esse prop\u00f3sito: \u00e9 uma montra e um mecanismo arquitet\u00f3nico de produ\u00e7\u00e3o de imagens, produz perspetivas frontais que se abrem para o Jardim da Sereia, mas permitem a circula\u00e7\u00e3o, fazem tamb\u00e9m ver o rev\u00e9s e transformam o Jardim num cen\u00e1rio. A paisagem adquire aqui o pitoresco que fundamenta a escultura, porque se transforma em moldura, em quadro no qual o corpo (da obra e do espectador) pode encontrar o seu lugar como figura.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, esta exposi\u00e7\u00e3o dedica-se, nos desenhos que constroem pontos de fuga e quadros dentro de quadros, nos desenhos escult\u00f3ricos nas paredes e nas esculturas que povoam o espa\u00e7o, a entender a rela\u00e7\u00e3o entre o fundo e a figura, sabendo que o primeiro tanto pode ser o desenho rom\u00e2ntico do jardim como o desenho arquitet\u00f3nico e o segundo \u00e9 tanto o ponto gravitacional da escultura como o corpo que nela se reconhece e, em torno dela, se define.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Delfim Sardo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exposi\u00e7\u00e3o integra um conjunto de desenhos e esculturas de Rui Sanches. 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