{"id":564,"date":"2013-12-22T12:26:58","date_gmt":"2013-12-22T12:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=564"},"modified":"2020-03-10T14:07:54","modified_gmt":"2020-03-10T14:07:54","slug":"o-lugar-desatento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/o-lugar-desatento\/","title":{"rendered":"<b>O lugar desatento<\/b>"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O lugar desatento &#8211; A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Adolf Loos, um her\u00f3i anacr\u00f3nico do essencialismo baudelairiano, descrevia o arquitecto como \u201cum pedreiro com conhecimentos de latim\u201d. Um pedreiro humanista. O arquitecto constitu\u00eda-se pela conjun\u00e7\u00e3o entre o saber em acto, (erguer quatro paredes e fenestr\u00e1-las) e a literacia esta por sua vez resultando do uso da l\u00edngua franca de uma civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nica j\u00e1 desaparecida; um quotidiano feito de lapida\u00e7\u00e3o e a vocaliza\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua sem vida quotidiana; essa constitui\u00e7\u00e3o, a do arquitecto, n\u00e3o era s\u00f3 o efeito de uma pr\u00e1tica e de uma cultura mas possu\u00eda um car\u00e1cter posicional, uma demarca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e geogr\u00e1fica; o pedreiro era europeu. Estivesse em Yokohama ou no Rio de Janeiro aquele que no s\u00e9culo XX se definisse como arquitecto era intrinsecamente o produto cultural da Europa, da homogeneiza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a europeia, do classicismo, em detrimento dos artif\u00edcios e artefactos do contexto onde se inseria. O Arquitecto colonizava com o seu modo \u201cret\u00f3rico\u201d de partir pedras. O mesmo Loos comentava com alguma mal\u00edcia que Le Corbusier n\u00e3o falava Franc\u00eas, l\u00edngua novilatina, uma l\u00edngua viva e sem autor original, mas Esperanto, uma l\u00edngua universal, uma inven\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica ao servi\u00e7o de uma utopia de coes\u00e3o universal e supera\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as nacionais. O seu arquitecto, o de Loos, era pelo contr\u00e1rio exclusivista no seu antropocentrismo; usava, para esse efeito, um c\u00f3digo dominado por poucos. A arquitectura era um saber secreto, inici\u00e1tico e o artes\u00e3o do espa\u00e7o n\u00e3o entregava os seus truques de magia, o esoterismo das suas ideias mas pelo contr\u00e1rio dificultava o acesso ao seu uso. A presen\u00e7a diferida de Loos, em particular, o seu euro sincretismo, ressurge num excerto da viagem de Che Guevara e Alberto Granado pela Am\u00e9rica do Sul, quando em Machu Pichu uma crian\u00e7a Inca a cumprir um papel informal de guia tur\u00edstico explica a excentricidade de uma parede onde se justap\u00f5e dois m\u00e9todos construtivos: \u201cdeste lado (com um encaixe impercept\u00edvel e uma maior depura\u00e7\u00e3o dos materiais l\u00edticos) os que sabiam fazer muros, os \u00edndios\u201d do outro lado, com uma estereotomia mais desalinhada e casu\u00edstica, a parede \u201c\u00e9 dos espanh\u00f3is Eles n\u00e3o sabiam fazer muros.\u201d \u00c9 esta contradi\u00e7\u00e3o que gera imagens fortes espacializando a ambiguidade, colando a hesita\u00e7\u00e3o ao dogma, a mem\u00f3ria \u00e0 mentira.<\/p>\n<p>Os lugares enchem-se de p\u00f3 &#8211; um caminho sem fim- e as \u00e9pocas de arquitecturaum fim sem caminho. A arquitectura \u00e9, ali\u00e1s, a inscri\u00e7\u00e3o de um ex\u00edlio. A inscri\u00e7\u00e3o da forma perdida na forma utilizada; do que n\u00e3o se sabe se vai dar certo no dever ser. A arte \u00e9 retroactiva em rela\u00e7\u00e3o a essa forma utilizada, ela trabalha a nostalgia do in\u00fatil, o mundo em rascunho, com uma obsess\u00e3o desesperada que se torna muitas vezes numa rendi\u00e7\u00e3o niilista \u00e0 impossibilidade da diferen\u00e7a. Ela tenta resgatar da tecnocracia do quotidiano o in\u00fatil, (o que n\u00e3o faz sentido, a dura\u00e7\u00e3o do imprevis\u00edvel). \u00c9 a soberania do trabalho morto e an\u00f3nimo mas uma soberania n\u00f3mada, que complexifica e descontextualiza a sua g\u00edria, as suas lealdades e que se coloca em fuga, quase sempre fracassada, do souvenir, do decorativo, do kitsch.<\/p>\n<p>Esta exposi\u00e7\u00e3o no CAPC explora a imers\u00e3o desses dois espa\u00e7os, o da forma utilizada e o da nostalgia do in\u00fatil.<\/p>\n<p>Na primeira sala desenhos de Jorge Colombo. Uma recorr\u00eancia. O incans\u00e1vel narrador (ou descritor?) de Nova Iorque Todo-o-Mundo, da cidade mais lenta e avan\u00e7ada do mundo, desembarcou na Paris Je t\u2019aime\/impression soleil\/ minute maid. \u00c9 Paris isolada em momentos termo-digitais (de cor e de luz) e remontada na imagem te\u00f3rica das cidades universais; \u00e9 o esfor\u00e7o de individua\u00e7\u00e3o expresso no registo da condi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do anonimato (das pessoas que passam e s\u00e3o, dos edif\u00edcios fotog\u00e9nicos ou sem salva\u00e7\u00e3o); Paris de Atget, de Bresson, de duas ou tr\u00eas coisas que sei dela (region parisienne par J.L-Godard), de Versalhes-Vichy, do le\u00e3o de Denfert, do p\u00e9re-lachaise onde dorme a conspira\u00e7\u00e3o cosmopolita internacional assim como jazem gloriosos os av\u00f3s blanquistas do bolchevismo; a Paris intranscendente dos RER, dos black mec hip-hop das cit\u00e9s; a Paris que nunca se desvendar\u00e1 e onde tamb\u00e9m \u201cn\u00e3o te safas sem umas rodas\u201d. A Paris syst\u00e9me D. D\u00ea de desenho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_566\" style=\"width: 1039px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0250.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-566\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-566 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0250.jpg\" alt=\"DSC_0250\" width=\"1029\" height=\"683\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0250.jpg 1029w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0250-300x199.jpg 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0250-1024x680.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1029px) 100vw, 1029px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-566\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o O lugar desatento &#8211; A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No corredor cruzam-se ensaios gr\u00e1ficos de Pedro Pousada sobre a paisagem n\u00e3o-hist\u00f3rica mas intensamente constru\u00edda da periferia portuguesa. De um dos lados o sub\u00farbio funciona como analogia visual do Portugal dos pequeninos. O mito metaboliza-se no car\u00e1cter incontrol\u00e1vel da experiencia humana. A apar\u00eancia que reverte destes trabalhos \u00e9 que o mundo \u00e9 constitu\u00eddo por migra\u00e7\u00f5es e exist\u00eancias fragmentadas que o convulsionam ao mesmo tempo que acentuam a sua condi\u00e7\u00e3o de readymade social. O espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 isotr\u00f3pico, n\u00e3o se deposita intacto nas m\u00e3os dos seus utilizadores mas \u00e9 a sobreposi\u00e7\u00e3o de uma n\u00e3o-imagem a um lugar. A segunda s\u00e9rie de trabalhos, do outro lado da sala, combina num sentido anagram\u00e1tico conte\u00fados e materialidade que podem ser associadas \u00e0 cultura arquitect\u00f3nica. O desarranjo est\u00e9tico, a acumula\u00e7\u00e3o sem nexo narrativo, sem caminho nem fim, tudo remete para a espacialidade p\u00f3s-fordista onde desaparece do edif\u00edcio a clareza funcional, ou a solidariedade submissa da forma \u00e0 fun\u00e7\u00e3o, do objecto ao contexto, o edif\u00edcio desformata-se mas n\u00e3o cessa de existir, continuando a viver como arca\u00edsmo, ru\u00edna, inutilidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_568\" style=\"width: 565px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0259.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-568\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-568 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0259.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"872\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0259.jpg 555w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0259-191x300.jpg 191w\" sizes=\"(max-width: 555px) 100vw, 555px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-568\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o O lugar desatento &#8211; A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na sala seguinte uma fotografia de Jos\u00e9 Ma\u00e7\u00e3s de Carvalho. Uma incaracter\u00edstica casa de banho. A escala da fotografia desmaterializa-a como medium e intensifica o realismo do espa\u00e7o de que se alimenta. Como os Casseurs de pierre (1849) de Courbet a fotografia de Jos\u00e9 Ma\u00e7\u00e3s revela o espa\u00e7o em acto, como coisa, como laconismo, como categoria do reprimido, do que n\u00e3o tem forma; esta imagem congela um lugar de uso numa intermit\u00eancia; um ex\u00edlio dom\u00e9stico prolonga-se para fora dos seus limites, da sua fun\u00e7\u00e3o. Assim uma casa de banho ganha fisicalidade, vivendo noutro espa\u00e7o, no espa\u00e7o composto, enquadrado de uma imagem para poder separar-se das rotinas, movimentos e objectos que a identificam; e atrav\u00e9s desse estranhamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a nossa ideia de pudor, de autocontrole, de inibi\u00e7\u00e3o que se dissipa da imagem mas a for\u00e7a prescritiva do veros\u00edmil. J\u00e1 n\u00e3o vemos uma casa de banho, com a sua humidade e os seus ru\u00eddos mas um antagonismo entre a realidade e o fora de campo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_567\" style=\"width: 825px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0254.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-567\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-567 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0254.jpg\" alt=\"Exposi\u00e7\u00e3o O lugar desatento - A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC, no C\u00edrculo Sede\" width=\"815\" height=\"609\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0254.jpg 815w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0254-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 815px) 100vw, 815px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-567\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o O lugar desatento &#8211; A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Organizado num mosaico regular de fotografias 10X13 observamos o trabalho de recolha documental de Valdemar Santos a subjectivar a informalidade a continuidade entediante, af\u00e1sica do abrigo. Actos de isolamento e de conting\u00eancia ganham valor factogr\u00e1fico. Valdemar Santos coloca-nos perante a n\u00e3o-imagem do livre-arb\u00edtrio: o amadorismo especializado no acto construtivo n\u00e3o-hist\u00f3rico. A gratifica\u00e7\u00e3o e o desenraizamento de fabrico humano preenchem, deformam, desligam o espa\u00e7o. Nesta s\u00e9rie, impressionante reflexo da entropia que define o reino da liberdade, a repeti\u00e7\u00e3o e a diferen\u00e7a tornam-se reciprocas e existem sem for\u00e7a narrativa, existem apenas na sua condi\u00e7\u00e3o expectante. Ao trabalho mec\u00e2nico acrescenta-se a ac\u00e7\u00e3o autogr\u00e1fica, correctiva da marca autoral, pict\u00f3rica, sobrepondo e atenuando esse mundo informe. O ego que constr\u00f3i revela-se um objecto impuro (uma propriedade incompleta).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">CAPC, Dezembro de 2013<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<div id=\"attachment_745\" style=\"width: 629px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/DSC_0266.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-745\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-745 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/DSC_0266.jpg\" alt=\"DSC_0266\" width=\"619\" height=\"985\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/DSC_0266.jpg 619w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/DSC_0266-189x300.jpg 189w\" sizes=\"(max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-745\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o O lugar desatento &#8211; A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lugar desatento &#8211; A arquitectura na colec\u00e7\u00e3o CAPC Adolf Loos, um her\u00f3i anacr\u00f3nico do essencialismo baudelairiano, descrevia o arquitecto como \u201cum pedreiro com conhecimentos de latim\u201d. 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