{"id":601,"date":"2014-01-31T15:53:23","date_gmt":"2014-01-31T15:53:23","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=601"},"modified":"2020-03-10T14:38:34","modified_gmt":"2020-03-10T14:38:34","slug":"pedro-vaz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/pedro-vaz\/","title":{"rendered":"<b>Stimmung<\/b><br>Pedro Vaz"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&#8220;S\u00f3 \u00e9 perfeito o homem para quem o mundo \u00e9 um pa\u00eds estrangeiro.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Hugo de S\u00e3o Vitor (Te\u00f3logo Sax\u00e3o, s\u00e9culo XII)<\/p>\n<p>&nbsp;O paisagismo \u00e9, entre muitas outras coisas, o efeito cultural de&nbsp;um conflito entre a necessidade hist\u00f3rica de moderniza\u00e7\u00e3o e a&nbsp;melancolia de uma separa\u00e7\u00e3o que o fluxo nevr\u00e1lgico dos boulevards&nbsp;e a burocracia produzira; um conflito, em que a ca\u00e7a,&nbsp;o desporto, os banhos termais, os piqueniques, os passeios pelo&nbsp;campo, o campismo, a naturaliza\u00e7\u00e3o do week-end, constitu\u00edam&nbsp;a dimens\u00e3o mais mundana, mais f\u00edsica. O sujeito, burgu\u00eas e propriet\u00e1rio&nbsp;(em fuga dos processos de dessacraliza\u00e7\u00e3o, da separa\u00e7\u00e3o&nbsp;entre ego e totalidade que a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica&nbsp;da sua classe inventara), redescobrira a sua animalidade nesses&nbsp;novos h\u00e1bitos mas necessitava de uma reden\u00e7\u00e3o arc\u00e1dica, de&nbsp;uma compensa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e o paisagismo pareceu cumprir&nbsp;essa tarefa assumindo-se como a disson\u00e2ncia pict\u00f3rica entre o&nbsp;pitoresco e o sublime, entre o conforto (e o deleite ego\u00edsta) e a&nbsp;trag\u00e9dia (a sensa\u00e7\u00e3o da forma natural como a perca de escala,&nbsp;a irrelev\u00e2ncia do destino humano). O orgulho da sua obra, das&nbsp;suas realiza\u00e7\u00f5es e o terror do seu fim e do sil\u00eancio indiferente&nbsp;da totalidade parecem alimentar a rela\u00e7\u00e3o do bom burgu\u00eas com&nbsp;a paisagem. Ali n\u00e3o h\u00e1 nada de seu, a sua identidade dissolve-se,obscurece-se, perde for\u00e7a posicional e contudo o burgu\u00eas&nbsp;comove-se, encanta-se; ele quer morbidamente reproduzir a&nbsp;sensa\u00e7\u00e3o \u00f3ptica, hol\u00edstica dessa perca; quer substituir os riscos,&nbsp;o perigo, a imprevisibi- lidade do \u201cestar l\u00e1\u201d, na fal\u00e9sia junto a um&nbsp;mar tempestuoso, num glaciar alpino, num canyon labir\u00edntico,&nbsp;no estio insalubre de um campo da Tosc\u00e2nia, pelo resguardo do&nbsp;ecr\u00e3 pict\u00f3rico. Esse perigo \u00e9 congelado numa fic\u00e7\u00e3o: a paisagem. (&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_603\" style=\"width: 816px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.08.17.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-603\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-603 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.08.17.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-02-11, \u00e0s 16.08.17\" width=\"806\" height=\"1212\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.08.17.png 806w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.08.17-200x300.png 200w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.08.17-681x1024.png 681w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-603\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Pedro Vaz<\/strong> | <em>25 Fontes<\/em>, 2012 | Laurissilva | Ilha da Madeira<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo o que disse&nbsp;at\u00e9 agora deriva e \u00e9 fortalecido pelas imagens que Pedro Vaz&nbsp;nos prop\u00f5e e pelo modo como as mediatiza no espa\u00e7o do CAPC;&nbsp;at\u00e9 porque a dimens\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 pitoresca, descritiva, mas&nbsp;anal\u00edtica, controlada, planeada, num repert\u00f3rio que aproxima&nbsp;o dualismo site\/nonsite de Robert Smithson \u2013 a combina\u00e7\u00e3o&nbsp;de conhecimento abstracto e de experi\u00eancia existencial do naturalismo&nbsp;de Corot mas tamb\u00e9m do de Courbet \u2013 a empiria&nbsp;do plein air&nbsp; e a coer\u00eancia compositiva do atelier \u2013 neste caso&nbsp;as aventuras pedestres de Pedro Vaz e o seu trabalho na mesa&nbsp;de montagem . A organiza\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o (em estruturas que&nbsp;simulam superf\u00edcies da tradi\u00e7\u00e3o pict\u00f3rica, telas em madeira,&nbsp;mas que n\u00e3o s\u00e3o mais do que suportes de uma projec\u00e7\u00e3o) coloca-nos imediatamente perante o problema da recep\u00e7\u00e3o e dos&nbsp;seus automatismos: como o nosso olhar \u00e9 parcial, incompleto,&nbsp;como somos invariavelmente objectos de um condicionamento&nbsp;em que a nossa subjectividade assimila o dado, (o documento&nbsp;de uma experi\u00eancia alheia) mas \u00e9 mantida afastada das diferentes&nbsp;sincronias da esfera do vivido (daquele vivido).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pedro Pousada &#8211;&nbsp;Coimbra, Janeiro de 2014<\/p>\n<div id=\"attachment_604\" style=\"width: 1870px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.03.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-604\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-604 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.03.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-02-11, \u00e0s 16.12.03\" width=\"1860\" height=\"1074\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.03.png 1860w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.03-300x173.png 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.03-1024x591.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 1860px) 100vw, 1860px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-604\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o Stimmung, no C\u00edrculo Sereia<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_605\" style=\"width: 1674px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.35.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-605\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-605 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.35.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-02-11, \u00e0s 16.12.35\" width=\"1664\" height=\"1084\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.35.png 1664w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.35-300x195.png 300w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-02-11-\u00e0s-16.12.35-1024x667.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 1664px) 100vw, 1664px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-605\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o Stimmung, no C\u00edrculo Sereia<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com Stimmung, Pedro Vaz retoma o conceito de natureza e paisagem&nbsp;desenvolvido por Georg Simmel (1858-1918) no seu texto seminal&nbsp;\u201cFilosofia da paisagem\u201d. Artista caminhante, tradi\u00e7\u00e3o moderna de&nbsp;Richard Long ou Hamish Fulton, Pedro Vaz exp\u00f5e oito projec\u00e7\u00f5es&nbsp;v\u00eddeo que registam, ou, melhor, que testemunham esse encontro pleno&nbsp;entre o artista e a natureza.<\/p>\n<p>S\u00e3o trabalhos de execu\u00e7\u00e3o muito lenta, como lento \u00e9 o tempo que o&nbsp;artista reclama para a sua frui\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m a montagem foi um processo&nbsp;longo, continuadamente discutido durante mais de um ano, e&nbsp;com uma montagem que se prolongou por 15 intensos dias, afinando&nbsp;cada detalhe, cada \u00e2ngulo de ataque \u00e0s obras, a precisa dimens\u00e3o de&nbsp;cada projec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este pequeno cat\u00e1logo regista essa singularidade do seu trabalho,&nbsp;porque Pedro Vaz executa uma obra de arte precisamente porque a&nbsp;montanha, ou o rio, toda a natureza se encontra l\u00e1, em di\u00e1logo consigo,&nbsp;os dois sujeitos de uma ac\u00e7\u00e3o, o artista mergulhado na natureza,&nbsp;em abismo, \u2013 numa s\u00e9rie recente, Pedro Vaz literalmente mergulhou&nbsp;numa linha de \u00e1gua em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 nascente \u2013 como a fotografia que&nbsp;acompanha este texto tautologicamente ilustra.<\/p>\n<p>No C\u00edrculo, alimentamos a ideia de continuidade na rela\u00e7\u00e3o com os&nbsp;artistas. Os artistas crescem com a institui\u00e7\u00e3o e permitem que a institui\u00e7\u00e3o&nbsp;cres\u00e7a com eles. \u00c9 assim h\u00e1 55 anos e assim continuar\u00e1 a ser.&nbsp;Por tudo isto, acreditamos que este \u00e9 apenas o primeiro epis\u00f3dio de&nbsp;um encontro que ser\u00e1 longo e frut\u00edfero e este cat\u00e1logo serve para&nbsp;testemunhar esse primeiro encontro e tornar p\u00fablico o nosso agradecimento&nbsp;e admira\u00e7\u00e3o pelo Pedro Vaz, o seu trabalho, sendo que um&nbsp;n\u00e3o se distingue do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Carlos Antunes<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/89225732\" width=\"500\" height=\"281\"frameborder=\"0\" title=\"Stimmung - Pedro Vaz  |  CAPC\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QSsrIbqLoDU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;S\u00f3 \u00e9 perfeito o homem para quem o mundo \u00e9 um pa\u00eds estrangeiro.&#8221; Hugo de S\u00e3o Vitor (Te\u00f3logo Sax\u00e3o, s\u00e9culo XII) &nbsp;O paisagismo \u00e9, entre muitas outras coisas, o efeito cultural de&nbsp;um conflito entre a necessidade hist\u00f3rica de moderniza\u00e7\u00e3o e a&nbsp;melancolia de uma separa\u00e7\u00e3o que o fluxo nevr\u00e1lgico dos boulevards&nbsp;e a burocracia produzira; um conflito, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":602,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[13,4,6,10,11,12],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601"}],"collection":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=601"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3207,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601\/revisions\/3207"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/602"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}