{"id":898,"date":"2015-01-10T16:35:05","date_gmt":"2015-01-10T16:35:05","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=898"},"modified":"2020-03-10T17:38:17","modified_gmt":"2020-03-10T17:38:17","slug":"nuno-cera-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/nuno-cera-2\/","title":{"rendered":"<b>Alpha B\u00e9ton<\/b><br>Nuno Cera"},"content":{"rendered":"<p>Existe na sec\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia do Museu do Louvre um pequeno modelo de uma casa de dois pisos com uma&nbsp;escada exterior; a legenda situa-a no Imp\u00e9rio M\u00e9dio entre 2033-1710 a.C. O objecto representa uma&nbsp;habita\u00e7\u00e3o de camponeses, provavelmente pr\u00f3speros dadas as suas dimens\u00f5es; na mesma vitrina&nbsp;rodeiam-na outros modelos de casas urbanas de dois ou tr\u00eas pisos com varandas adossadas, torres de&nbsp;vig\u00edlia; h\u00e1 dois aspectos fascinantes neste artefacto musealizado, o primeiro \u00e9 o arranque tecnol\u00f3gico que&nbsp;significou a inven\u00e7\u00e3o da escada, que, imagino, esteve durante muito tempo para a arquitectura como a&nbsp;roda para o transporte; a liga\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas estrutural mas antropol\u00f3gica que a tecnologia da escadaria&nbsp;proporcionava entre dois topoi da ideia de ascese, de desloca\u00e7\u00e3o vertical: o solo e o seu claro-escuro&nbsp;mundano e o telhado, primeira etapa do firmamento estelar; a ideia filos\u00f3fica de supera\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, o&nbsp;sacrif\u00edcio do corpo, e a depura\u00e7\u00e3o dos v\u00edcios, do indeterminado, talvez estivesse originalmente ligada a&nbsp;esse dispositivo que permite o transporte vertical, uma combina\u00e7\u00e3o de tecnologia e metaf\u00edsica. A torre de&nbsp;Babel, esse al\u00e9m que se pretende alcan\u00e7ar por via arquitect\u00f3nica, parece ser uma enorme escada&nbsp;helicoidal e a rela\u00e7\u00e3o entre pureza e altitude, entre mortalidade (o c\u00f3digo universal, a possibilidade de&nbsp;comunica\u00e7\u00e3o, o sonho dos construtores de Babel) e eternidade (a multiplica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo, o ruido e o&nbsp;sil\u00eancio, o castigo de Deus) perduram nessa met\u00e1fora espacial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1172\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.11.46.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1172\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1172 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.11.46.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-03-4, \u00e0s 12.11.46\" width=\"550\" height=\"368\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.11.46.png 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.11.46-300x201.png 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1172\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>Alpha B\u00e9ton<\/em>, no C\u00edrculo Sereia | Fotografia Nuno Cera<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo aspecto, mais catastr\u00f3fico do que fascinante, ser\u00e1 a consci\u00eancia da finitude, de que tudo acaba. Algures num passado t\u00e3o imposs\u00edvel de imaginar (com os seus odores, sons, coloquialidade, texturas idiom\u00e1ticas, esquemas de pensamento) como uma realidade alternativa, aquele artefacto serviu um prop\u00f3sito (imitar o estar no mundo, entreter, distrair, explicar); prop\u00f3sito esse que agora significa apenas que no futuro o vazio que ocupamos e a que chamamos presente, o \u201choje\u201d o nosso \u201choje\u201d com uma cultura espec\u00edfica e uma identidade nacional, ser\u00e1 esquecido, apagado. Mas o que tem este objecto do crescente f\u00e9rtil a ver com esta exposi\u00e7\u00e3o, e com estas imagens? Provavelmente nada, sobretudo para os outros, mas ao observar as fotografias de Nuno Cera, em particular aquelas que tratam de objectos inacabados, objectos que a tecnocracia designa de infraestrutura, pensei nesse arqu\u00e9tipo de casa. E logo a seguir senti-me empurrado pela dimens\u00e3o espectral e contraditoriamente diurna da plasticidade da fotografia de Nuno Cera e lembrei-me de uma refer\u00eancia peculiar que no in\u00edcio do seu Snows of Kilimanjaro, Ernest Hemingway,faz ao facto de \u201c\u2026no cume ocidental encontrar-se a carca\u00e7a seca e gelada de um leopardo. Ningu\u00e9m conseguiu explicar o que \u00e9 que o leopardo procurava naquela altitude.\u201d O que queremos (e o que quer Nuno Cera) com as imagens? O mesmo que esse leopardo? Um horizonte, um algo mais? Testar a inteligibilidade e a comunicabilidade do vis\u00edvel? Porque continuamos a produzi-las incessantemente? Queremos compreender que a vida se faz pela sucess\u00e3o da morte? Queremos reaver o perdido? Segurar instantes que os nossos corpos e o nosso mundo (objectos ou sujeitos da anota\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica) n\u00e3o reconhecem sequer como partes de um continuum porque est\u00e3o imersos e indestrutivelmente ligados a esse fluxo? Baudelaire falava a prop\u00f3sito da Arte (donde exclu\u00eda a fotografia apesar do seu amigo Manet se socorrer abundantemente dela\u2026) como uma mnemotecnia do belo, uma das suas fun\u00e7\u00f5es seria relembrar continuamente aos vindouros as capacidades humanas de enfrentar (incorporar tamb\u00e9m) atrav\u00e9s do belo, a incompletude do mundo, a agress\u00e3o dos fen\u00f3menos naturais e hist\u00f3ricos, o disforme, o banal, o desamor, o infernal. A fotografia nasceu como o desejo de transformar a luz em grafo, em imagem, de transferir para uma superf\u00edcie o que o olhar (ou a sua r\u00e9plica mec\u00e2nica) v\u00ea \u2013 e tamb\u00e9m aquilo que l\u00e1 est\u00e1 e que n\u00e3o \u00e9 rastreado, memorizado pelo corpo que v\u00ea. E nasceu desse desejo milenar de fazer perdurar o olhar sobre as coisas; coisas de que durante muito tempo s\u00f3 a palavra escrita, um recurso anti-mim\u00e9tico, parecia assegurar o realismo, a verosimilhan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1174\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.13.11.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1174\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1174 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.13.11.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-03-4, \u00e0s 12.13.11\" width=\"550\" height=\"820\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.13.11.png 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.13.11-201x300.png 201w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1174\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>Alpha B\u00e9ton<\/em>, no C\u00edrculo Sereia | Fotografia Nuno Cera<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A casa eg\u00edpcia reaparece no v\u00eddeo Espaces d\u2019Abraxas, Le Palacio, le Th\u00e9atre, L\u2019arc, (2014) de Nuno Cera. Um objeto hist\u00f3rico (a fotografia como opera\u00e7\u00e3o art\u00edstica, o v\u00eddeo como uma auto-referencialidade constru\u00edda a partir da hip\u00f3tese documentarista) fixa como conte\u00fado est\u00e9tico um segundo objeto hist\u00f3rico (a arquitectura). O tr\u00e1gico(o desconforto da organiza\u00e7\u00e3o do vazio: a encarna\u00e7\u00e3o do sublime na forma arquitet\u00f3nica) imp\u00f5e-se no ins\u00f3lito (porque real, verdadeiro, usado e vivido) falanst\u00e9rio do Espaces d\u2019Abraxas (1982, Noisy le Grand), somatiza\u00e7\u00e3o de acr\u00f3pole com os seus p\u00f3rticos, colunas morfizadas como habita\u00e7\u00f5es, estruturas monumentais feitas com a incongru\u00eancia de um ourives. O fantasma de Charles Fourier manifesta-se num dos nomes poss\u00edveis desse megadispositivo desenhado por Ricardo Bofill: Palais. Espaces d\u2019Abraxas \u00e9 ent\u00e3o uma outra Sarcelles, um h\u00edbrido anti-moderno, hip\u00e9rbole da Strada Novissima, e que, ao contr\u00e1rio da fantasia fourierista, n\u00e3o concilia as paix\u00f5es mas parece ocult\u00e1-las no isolamento, na atomiza\u00e7\u00e3o, em mar\u00e9s sucessivas de repeti\u00e7\u00e3o, de fazer de novo. Kurt Schwitters dizia que o eterno era apenas aquilo que durava mais tempo e no v\u00eddeo de Nuno Cera &#8211; fragmentos de uma visita a esse espa\u00e7o &#8211; a monotonia, a aus\u00eancia de disson\u00e2ncias, de perturba\u00e7\u00f5es, o p\u00f3s-humano da escala parecem acentuar essa dura\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil ver, ouvir como uma totalidade, como uma defini\u00e7\u00e3o, o movimento de um cosmos \u2013 aquele pal\u00e1cio &#8211; onde o indiscern\u00edvel, a vida dos outros, a comunidade daqueles que s\u00e3o vistos, e coisificados (que, para Nuno Cera, e para n\u00f3s, observadores, n\u00e3o s\u00e3o interlocutores, n\u00e3o s\u00e3o realidades mas possibilidades de realidade: o adolescente encostado \u00e0 janela, os adultos e crian\u00e7as que passam no anfiteatro, nos p\u00e1tios, as janelas preenchidas de domesticidade; a err\u00e2ncia voyeurista chega a perpassar por alguns instantes do v\u00eddeo mas desvia-se) parecem coexistir, sem di\u00e1logo, sem reconcilia\u00e7\u00e3o, com a entropia da necessidade social: as boas inten\u00e7\u00f5es e a boa forma podem correr mal, podem ser o espelho da melancolia, do n\u00e9ant. Mas mesmo perante esse desacerto \u2013 a obra correu mal &#8211; a identidade mais ouvida ainda \u00e9 a do arquiteto, a \u00fanica que cristalizou a sua subjetividade (ainda que historicamente localizada nos anos oitenta) numa forma, numa c\u00e1psula que para muitas pessoas se tornou o quotidiano premente e inescap\u00e1vel, a atmosfera fim de dia, a realidade piedosa do week-end seu bairro, quarteir\u00e3o, comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1173\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.12.36.png\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1173\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1173 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.12.36.png\" alt=\"Captura de ecr\u00e3 2016-03-4, \u00e0s 12.12.36\" width=\"550\" height=\"367\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.12.36.png 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/Captura-de-ecr\u00e3-2016-03-4-\u00e0s-12.12.36-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1173\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>Alpha B\u00e9ton<\/em>, no C\u00edrculo Sereia | Fotografia Nuno Cera<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim Ricardo Bofill onde o passado arquitect\u00f3nico, a doxografia complicada desse passado (cl\u00e1ssico ou moderno, cl\u00e1ssico e moderno, tradi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00e3o do novo e tradi\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o do novo, heterodoxia, historicismo) surge como mode d\u2019emploie, e Carlo Scarpa onde a arquitetura \u201creinventa a roda\u201d a partir de identidades estabilizadas- s\u00e3o ambos reivindicados por Nuno Cera como espa\u00e7os fotogr\u00e1ficos; espa\u00e7os- efeitos de realidade &#8211; que potenciam a realidade dos efeitos fotograf\u00e1veis do constru\u00eddo. A fotografia funciona como um lugar \u2013 ele pr\u00f3prio carregado de realidade- e \u201crodeado de realidade por todos os lados\u201d. Estas imagens de Nuno Cera continuam a experi\u00eancia \u2013 sua, de escolher, de decidir esteticamente o que vai fazer e como o vai fazer- n\u00e3o a interrompem mas prolongam-na. H\u00e1 uma prefer\u00eancia m\u00f3rbida na intui\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. Ela deixa-nos ver paisagens onde pontuam constru\u00e7\u00f5es lac\u00f3nicas, interrompidas, estruturas verticais, blocos, mon\u00f3litos, encarando a sua inutilidade; detalhes estereot\u00f3micos, superficies parietais aproximando-se do readymade \u2013 da serializa\u00e7\u00e3o e do deslocamento contextual: as constru\u00e7\u00f5es que Nuno Cera regista como imagens s\u00e3o colocadas fora do seu s\u00edtio, e aparecem como ensaios sobre a c\u00f3pia (interpreta\u00e7\u00e3o) do mundo (e as suas narrativas visuais, pict\u00f3ricas, pr\u00e1ticas), c\u00f3pia que implica a substitui\u00e7\u00e3o do org\u00e2nico pelo inerte, e a soberania do artif\u00edcio, do falso &#8211; do que n\u00e3o \u00e9 &#8211; perante aquilo (o site-specific) que n\u00e3o pode ser destitu\u00eddo das impurezas do lugar; porqu\u00ea esta escolha tem\u00e1tica? Porqu\u00ea estas formas destitu\u00eddas de um princ\u00edpio e de um fim, desenraizadas situadas entre o quotidiano (a sublima\u00e7\u00e3o do eterno presente) e o fracasso, estas formas onde vigora a inibi\u00e7\u00e3o e a desarmonia do absolutamente grande? A ambiguidade das fotografias de Nuno Cera \u00e9 que n\u00e3o estamos a observer fotografia de arquitetura, n\u00e3o estamos no reino da trai\u00e7\u00e3o fotog\u00e9nica do aparente, da sociabilidade da obra arquitet\u00f3nica. A fotografia intensifica, posiciona esteticamente o real mas esse real n\u00e3o essencializa (define, estipula) a condi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. A arquitetura aparece, aqui, como um medium, como uma imagem-finita, envolvida de impot\u00eancia e morte, n\u00e3o \u00e9 o enquadramento e o controle est\u00e9tico (ou funcionalista) do vazio mas o pr\u00f3prio vazio. \u00c9 um antagonismo espa\u00e7o-temporal, em ac\u00e7\u00e3o, colocando-se entre o desejo- administrativo e po\u00e9tico- de \u201cperfei\u00e7\u00e3o social\u201d (a comunidade em autocorre\u00e7\u00e3o, e a fotografia, como for\u00e7a medusiva, petrificando o fora de campo desse desejo de supera\u00e7\u00e3o colectiva, como or\u00e1culo de que a integridade e nitidez da juventude de todas as coisas dos edif\u00edcios, dos corpos geol\u00f3gicos, do que viveu, foi vivo e ainda vive, dos dias, dos nomes, se suspende numa folha de papel ) e o egotropismo da auto-perfei\u00e7\u00e3o (os conflitos internos da subjetividade criadora, do autor resolvem-se na produ\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o (o quadro fotogr\u00e1fico, a arquitectura) para os outros: a rela\u00e7\u00e3o intersubjetiva \u00e9 hierarquizada, o autor, o mag\u00edster art\u00edfice diz: isto \u00e9 bom para se ver, para se viver- mas n\u00e3o quer ser respondido, quer que a vida, o rumo das coisas se encadeie nesse lugar (o enquadramento na fotografia, a promenade na arquitectura), que prove que merece esse lugar, que merece essa representa\u00e7\u00e3o do absoluto).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pedro Pousada &#8211; Coimbra, Janeiro de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/avS5I0KAjno?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fx4Tlab13VE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe na sec\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia do Museu do Louvre um pequeno modelo de uma casa de dois pisos com uma&nbsp;escada exterior; a legenda situa-a no Imp\u00e9rio M\u00e9dio entre 2033-1710 a.C. 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