{"id":923,"date":"2015-05-23T12:30:12","date_gmt":"2015-05-23T12:30:12","guid":{"rendered":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/?p=923"},"modified":"2020-03-10T17:34:32","modified_gmt":"2020-03-10T17:34:32","slug":"pedro-pousada-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/pedro-pousada-2\/","title":{"rendered":"<b>Proxy Wars<\/b><br>Pedro Pousada"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Pedro Pousada<\/span> (1970) \u00e9 um artista pl\u00e1stico com uma extensa experi\u00eancia no campo de Desenho contempor\u00e2neo.&nbsp;A sua actividade iniciou-se em 1991.\u00c9 um partid\u00e1rio do comunismo desde 1987. Sabe que a&nbsp;Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica n\u00e3o era o para\u00edso do trabalhadores mas sabe tamb\u00e9m que era o Estado dos trabalhadores&nbsp;e que faz muita falta ao mundo. Pugna pela socializa\u00e7\u00e3o da riqueza e do pluralismo democr\u00e1tico (da&nbsp;Empresa \u00e0 Universidade) que s\u00f3 se pode concretizar com a supremacia da esfera pol\u00edtica sobre a esfera&nbsp;econ\u00f3mica; defende a gratuitidade no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 cultura; est\u00e1 convicto que um dia as&nbsp;cozinheiras de L\u00e9nine governar\u00e3o o mundo e que os filhos dos sapateiros escrever\u00e3o poesia. N\u00e3o viajou&nbsp;muito mas falou com muitas pessoas e viu nelas a luta de classes em ac\u00e7\u00e3o: judeus franco-sionistas,&nbsp;israelitas simpatizantes da Intifada, s\u00e9rvios, b\u00f3snios e croatas a olharem-se como jugoslavos, surfistas antrop\u00f3logos&nbsp;da Calif\u00f3rnia, economistas guineenses a trabalharem como baby-sitters de casais finlandeses,&nbsp;designers cubanos que combateram em Angola, diplomatas argentinos com tiques aristocr\u00e1ticos,&nbsp;guerrilheiros chilenos desiludidos com o socialismo real, presos pol\u00edticos, soldados genocidas que falam&nbsp;repetidamente do que fizeram aos &#8220;turras&#8221;, sect\u00e1rios de todas as cores, mec\u00e2nicos salazaristas, taxistas de&nbsp;todas as ideologias, arrependidos por terem voltado a Portugal, arrependidos por nunca terem sa\u00eddo,&nbsp;emigrantes e imigrantes, cientistas sem opini\u00e3o pol\u00edtica, pessoas \u00e0 procura do primeiro emprego e&nbsp;pessoas diversas que n\u00e3o votam e que odeiam a democracia.<\/p>\n<p>Op\u00f5e-se ao sionismo e ao apartheid que se ergue na Palestina ocupada com a cumplicidade da diplomacia&nbsp;ocidental. Sabe o que foi a batalha de Cuito Cuanavale e o seu papel na liberta\u00e7\u00e3o de Nelson Mandela e da&nbsp;\u00c1frica do Sul. Op\u00f5e-se \u00e0s pol\u00edticas neocoloniais que se tem vindo a definir no M\u00e9dio Oriente desde a&nbsp;invas\u00e3o do L\u00edbano em 1982. Recorda-se bem como a doutrina do senhor Zbigniew Brzezinszky incendiou&nbsp;o Afeganist\u00e3o revolucion\u00e1rio dos anos oitenta e legou ao futuro que agora estamos a viver milhares&nbsp;de mercen\u00e1rios jihadistas, c\u00e3es de fila das monarquias takfiristas do Golfo P\u00e9rsico. Lembra-se da Frente&nbsp;Sandinista e da Frente Farabundo Marti. Considera a Invas\u00e3o do Iraque de 2003 como o in\u00edcio tr\u00e1gico do&nbsp;s\u00e9c. XXI e abomina o conceito de Estados falhados e a ret\u00f3rica predadora que a fundamenta. Como os&nbsp;outros seres humanos tem medo de muitas coisas, da morte, do desconhecido, do desemprego, da doen\u00e7a,&nbsp;da amn\u00e9sia, do desamor, de n\u00e3o saber porque est\u00e1 aqui. Gosta de ensinar e de aprender e na sua actividade&nbsp;de docente e investigador universit\u00e1rio tem publicado artigos cient\u00edficos no \u00e2mbito da teoria da arte e&nbsp;do cruzamento entre cultura art\u00edstica contempor\u00e2nea e cultura arquitect\u00f3nica. Mas quando faz o que faz&nbsp;n\u00e3o pensa que seja artista e tem muitas d\u00favidas sobre o que isso possa significar nos dias de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1190\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/10265544_133348233706167_4208817387682602112_o.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1190\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1190 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/10265544_133348233706167_4208817387682602112_o.jpg\" alt=\"10265544_133348233706167_4208817387682602112_o\" width=\"550\" height=\"367\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/10265544_133348233706167_4208817387682602112_o.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/10265544_133348233706167_4208817387682602112_o-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1190\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o<em> Proxy Wars<\/em>, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>PROXY WARS<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Parte Meta-f\u00edsica (formula\u00e7\u00e3o de conceitos)<\/span><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos vinte anos (1993-2013) o meu trabalho art\u00edstico desenvolveu de um modo intuitivo,&nbsp;assist\u00e9mico e assim\u00e9trico, um conjunto de premissas que posso definir baseando-me em dois excertos. O&nbsp;primeiro \u00e9 um coment\u00e1rio de Walter Benjamin (Zentralpark, Fragments sur Baudelaire In Charles&nbsp;Baudelaire, un po\u00e8te lyrique \u00e0 l\u2019apog\u00e9e du capitalisme, Paris : \u00c9ditions Payot, 2002, p.228.) sobre a&nbsp;fisiologia po\u00e9tica de Charles Baudelaire: a \u201craiva de irromper neste mundo para destruir e arruinar as suas&nbsp;cria\u00e7\u00f5es harmoniosas\u201d, o choque surge, aqui, como uma estrat\u00e9gia para problematizar a condi\u00e7\u00e3o&nbsp;migrante e milenar do sujeito humano posicionando-se entre o b\u00e1rbaro (o pior de n\u00f3s, o monstro, o&nbsp;desconexo e o incompreens\u00edvel) e o sublime (o inapreens\u00edvel, o hero\u00edsmo do sil\u00eancio, a subjectividade&nbsp;esmagada perante a intensidade do objecto, intensidade que n\u00e3o \u00e9 mais do que o sujeito a revelar-se a si&nbsp;pr\u00f3prio ); o segundo excerto encontrei-o no Fausto do Gothe (ajudado por Mikhail Bulgakov e o seu&nbsp;Margarida e o Mestre) e \u00e9 o Diabo quem fala respondendo a esta pergunta: &#8221; -Quem \u00e9s tu, afinal?- Sou&nbsp;parte daquela for\u00e7a que eternamente quer o mal e eternamente quer o bem.&#8221;&nbsp;Este projecto expositivo \u00e9 um cruzamento de narrativas gr\u00e1ficas sobre o edif\u00edcio contempor\u00e2neo&nbsp;neocapitalista e especificamente sobre a naturaliza\u00e7\u00e3o no nosso quotidiano do fundamento biol\u00f3gico da&nbsp;vida- a morte, a destrui\u00e7\u00e3o do outro, o homem lobo do homem, a desordem como um programa de&nbsp;salva\u00e7\u00e3o da ordem institu\u00edda. Apresenta-se por isso mesmo como uma cr\u00edtica art\u00edstica (entendida aqui&nbsp;como a \u201cnegatividade dial\u00e9ctica\u201d da destrui\u00e7\u00e3o criadora) \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o das classes (o cavalo de Tr\u00f3ia do&nbsp;exterm\u00ednio) e \u00e9 um ataque \u00e0 ideia de intropatia (o explorado contempla o sofrimento do explorador como&nbsp;parte do seu sofrimento, e o explorador na sua estrat\u00e9gia de reprodu\u00e7\u00e3o e continuidade inventa uma&nbsp;humanidade intrinsecamente diferente na sua mobilidade social mas igual no seu sofrimento e&nbsp;mortalidade); Walter Benjamin definiu este conceito como um factor de enfraquecimento ideol\u00f3gico do&nbsp;dominado em rela\u00e7\u00e3o ao dominador, daqueles que produzem (e consomem) em rela\u00e7\u00e3o aqueles que&nbsp;organizam a acumula\u00e7\u00e3o por despossess\u00e3o, dos representados em rela\u00e7\u00e3o aos representantes (problema&nbsp;central da nossa democracia).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1191\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/11062320_133322937042030_8702103153347667725_o.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1191\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1191 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/11062320_133322937042030_8702103153347667725_o.jpg\" alt=\"11062320_133322937042030_8702103153347667725_o\" width=\"550\" height=\"367\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/11062320_133322937042030_8702103153347667725_o.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/11062320_133322937042030_8702103153347667725_o-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1191\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>Proxy Wars<\/em>, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Parte Metodol\u00f3gica (Como fa\u00e7o e auto-reflexividade cr\u00edtica do que fa\u00e7o)<\/span><\/p>\n<p>Na minha obra art\u00edstica, grande parte dela constitu\u00edda por desenhos, tem sido recorrente uma metodologia&nbsp;em que o que est\u00e1 desenhado (articulando-se entre o figurativo, o informe e o abstracto) n\u00e3o \u00e9&nbsp;exactamente ou apenas aquilo que est\u00e1 desenhado. Parece uma invers\u00e3o tautol\u00f3gica (o desenho \u00e9 um&nbsp;desenho que n\u00e3o \u00e9 apenas uma coisa desenhada, ou o desenho, coisa vis\u00edvel, \u00e9 apenas uma das camadas&nbsp;de sentido do desenhado) mas tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o pensar como e se \u00e9 poss\u00edvel resgatar a&nbsp;narrativa gr\u00e1fica do \u00f3nus dos lugares comuns da cultura de massas (apesar da vizinhan\u00e7a estil\u00edstica n\u00e3o&nbsp;fa\u00e7o banda desenhada nem estou a contar uma hist\u00f3ria e quero sobretudo potenciar a sem\u00e2ntica do&nbsp;reconhec\u00edvel e do irreconhec\u00edvel , as possibilidades de associa\u00e7\u00e3o e de disrup\u00e7\u00e3o do logos e do intuitivo,&nbsp;do herm\u00e9tico e do senso comum). Penso muitas vezes no mon\u00f3logo do Covil de Kafka quando tento&nbsp;racionalizar a minha pr\u00e1tica art\u00edstica. A dissimula\u00e7\u00e3o, o esconderijo, a obsess\u00e3o da voz interior&nbsp;monoman\u00edaca, prisioneira do mesmo ponto de vista, incapaz de se afstar de si pr\u00f3pria,o medo dos&nbsp;inimigos no exterior e no interior, o culto da pali\u00e7ada, da robinsonada, o terror do isolamento (da&nbsp;imperfei\u00e7\u00e3o) mas tamb\u00e9m o seu conforto (a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia dos outros). Os meus&nbsp;desenhos t\u00eam um lado de perca e de castigo, s\u00e3o uma antologia de modos proprioceptivos de desenhar,&nbsp;de agir graficamente onde o prazer se pode rapidamente transforma r em n\u00e1usea, cansa\u00e7o, descren\u00e7a:&nbsp;sei onde come\u00e7o na folha, sei que uso o acidente, que arrisco, improviso e manipulo o imprevisto mas&nbsp;muitas vezes sinto que o que prevalece n\u00e3o \u00e9 tanto o poder do processo, mas as redund\u00e2ncias e&nbsp;constantes gr\u00e1ficas, a desarmonia compositiva, o pathos do cheio, do excessivo, do ru\u00eddo. Acumulo e&nbsp;relaciono imagens e a experi\u00eancia torna-se a anula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do veros\u00edmil, do familiar, do vivido.<\/p>\n<p>Este Projecto tem tamb\u00e9m a ambi\u00e7\u00e3o de aferir como posso extrair desse excesso uma totalidade, uma&nbsp;narrativa que aproxime mais os instrumentos visuais (os desenhos) que utilizo, que mediatizo, do&nbsp;mundo em que vivo. Eu entendo-os como sintomas mas desfocados e destituidos da racionalidade com&nbsp;que representamos o quotidiano como um \u201cainda mais uma vez\u201d ou um \u201coutra vez\u201d, como um sempre&nbsp;igual que se vai deformando ao ponto em que o fim (a obsolesc\u00eancia, a dem\u00eancia, a velhice, a morte, a&nbsp;finitude e a insatisfa\u00e7\u00e3o de nos termos apenas a n\u00f3s pr\u00f3prios) \u00e9 j\u00e1 um principio. Desenho a pensar nisso,&nbsp;que isto vai acabar e que essa inquietante promessa de que \u201cnada far\u00e1 sentido\u201d (porque j\u00e1 n\u00e3o somos&nbsp;recordados por quem quer que seja) \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o natural, org\u00e2nica de um outro sentido em que j\u00e1 n\u00e3o&nbsp;somos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1192\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/12419042_133348087039515_1793732571006100142_o.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1192\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1192 size-full\" src=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/12419042_133348087039515_1793732571006100142_o.jpg\" alt=\"12419042_133348087039515_1793732571006100142_o\" width=\"550\" height=\"367\" srcset=\"http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/12419042_133348087039515_1793732571006100142_o.jpg 550w, http:\/\/capc.com.pt\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/12419042_133348087039515_1793732571006100142_o-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1192\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o <em>Proxy Wars<\/em>, no C\u00edrculo Sede<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim tento muitas vezes que nos meus desenhos a parte (o pormenor, a biografia do gesto, a mancha&nbsp;autogr\u00e1fica) fale do todo, que o invis\u00edvel e o complexo sejam metaforizados pelo estereotipo, que o&nbsp;diagrama explique a \u201cassocia\u00e7\u00e3o livre disjuntiva\u201d e em que a \u201cvoz interior\u201d (as minhas ideias, a minha&nbsp;cabe\u00e7a e os seus males) reverbere a hist\u00f3ria oral dos an\u00f3nimos (dos muitos an\u00f3nimos com quem tenho&nbsp;falado para aprender a falar comigo pr\u00f3prio) da nossa modernidade (especificamente nos finais do&nbsp;S\u00e9culo XX Portugu\u00eas, colonial, p\u00f3s-colonial, continental, perif\u00e9rico, europeu). George Simmel afirma no&nbsp;seu texto Ponte e Porta (Brucke und Tur, 1909) que os humanos s\u00e3o a \u00fanica parte da natureza capaz de&nbsp;separar, dividir um objecto, uma coisa, e que o fazem conceptualmente ainda antes de o fazerem&nbsp;materialmente: o mundo aparece-nos como partes irremediavelmente divididas. A arte talvez (insisto&nbsp;no talvez) seja a tentativa de apaziguar a consci\u00eancia de que o uno e o indivis\u00edvel n\u00e3o existem; por outro&nbsp;lado e respondendo dialecticamente \u00e0 percep\u00e7\u00e3o desolada de um mundo dividido e b\u00e1rbaro a est\u00e9tica&nbsp;entrega-se a um jogo duplo como a estrat\u00e9gia de esquecimento e de oculta\u00e7\u00e3o do repugnante mas&nbsp;tamb\u00e9m como um trabalho (do pensamento, do mundo das ideias e do mundo das formas) sobre o&nbsp;apor\u00e9tico pois n\u00e3o resolvendo os problemas humanos (filos\u00f3ficos), n\u00e3o sendo um guia para a ac\u00e7\u00e3o&nbsp;(correctiva, transgressiva) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es do viver, \u00e0s imperfei\u00e7\u00f5es do dizer, n\u00e3o possuindo&nbsp;propriedades terap\u00eauticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fisiologia do desejo, ao insaci\u00e1vel, ao incontrol\u00e1vel, \u00e0 vertigem&nbsp;da morte, ela, a est\u00e9tica ,como o comunismo, \u00e9 um espectro que regressa.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pedro Pousada,&nbsp;Maio de 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/razBRnz7XpM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Pousada (1970) \u00e9 um artista pl\u00e1stico com uma extensa experi\u00eancia no campo de Desenho contempor\u00e2neo.&nbsp;A sua actividade iniciou-se em 1991.\u00c9 um partid\u00e1rio do comunismo desde 1987. Sabe que a&nbsp;Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica n\u00e3o era o para\u00edso do trabalhadores mas sabe tamb\u00e9m que era o Estado dos trabalhadores&nbsp;e que faz muita falta ao mundo. Pugna pela socializa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[50,13,4,6,5,51],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/923"}],"collection":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=923"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3240,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/923\/revisions\/3240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/924"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/capc.com.pt\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}